INTERNACIONAL

EUA marcam para agosto de 2026 julgamento de suposto mentor dos atentados de 11 de setembro

O julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, apontado pelas autoridades americanas como o principal planejador dos atentados de 11 de setembro de 2001, está previsto para começar em 17 de agosto de 2026. A data foi estabelecida por um juiz militar responsável pelo processo na base naval dos Estados Unidos em Guantánamo, em Cuba.

Mohammed é acusado de conspirar com integrantes da organização extremista Al-Qaeda para planejar e executar os ataques que atingiram o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, nos arredores de Washington. Um quarto avião, o voo 93 da United Airlines, caiu em uma área rural da Pensilvânia depois que passageiros tentaram retomar o controle da aeronave.

Os atentados deixaram quase 3 mil mortos e desencadearam a chamada “guerra ao terror”, lançada pelo governo americano durante a administração do então presidente George W. Bush. O processo contra Mohammed e outros acusados tramita há mais de uma década, marcado por disputas jurídicas, mudanças de promotores e questionamentos sobre métodos de interrogatório utilizados após a captura dos réus.

Além de Khalid Sheikh Mohammed, o julgamento envolve Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi. Os dois são acusados de participação na conspiração que resultou nos ataques. Ramzi bin al-Shibh, outro réu no caso, foi considerado mentalmente incapaz de acompanhar o processo e não deverá ser julgado junto com os demais.

As acusações incluem terrorismo, conspiração, assassinato em violação à lei da guerra e destruição de aeronaves. Caso sejam condenados, Mohammed, bin Attash e al-Hawsawi podem receber a pena de morte. Os três se declararam inocentes das acusações durante fases anteriores do processo.

Em 2024, promotores militares chegaram a um acordo judicial com Mohammed e outros dois acusados. Pelos termos anunciados na época, eles se declarariam culpados para evitar um julgamento com possibilidade de pena capital. O acordo, no entanto, foi posteriormente revogado pelo então secretário de Defesa Lloyd Austin, que determinou que o caso continuasse em direção a um julgamento.

A decisão provocou novos recursos e discussões sobre a validade do acordo. A defesa argumentou que o governo não poderia simplesmente cancelar o entendimento depois de sua aprovação pelas autoridades responsáveis pelo processo. A acusação, por sua vez, sustentou que o secretário de Defesa tinha autoridade para impedir a aplicação do pacto.

A definição da data do julgamento não encerra as disputas preliminares. Ainda podem ser analisados recursos, pedidos para excluir provas e questionamentos relacionados ao tratamento dos acusados durante os anos em que permaneceram sob custódia americana. Essas questões são consideradas centrais porque Mohammed e outros réus passaram por centros secretos da CIA antes de serem transferidos para Guantánamo.

O tribunal militar da base foi criado para julgar suspeitos de crimes relacionados aos ataques terroristas. O caso de 11 de setembro, contudo, tornou-se um dos processos mais longos e complexos da história recente dos Estados Unidos. A sessão marcada para agosto de 2026 poderá ser adiada caso os recursos ou as audiências preliminares ainda não tenham sido concluídos.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo