MEIO AMBIENTE

COP17 da desertificação terá financiamento como um dos principais desafios da próxima rodada de negociações

A próxima Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, conhecida como COP17 da UNCCD, deverá concentrar parte importante das discussões na busca por recursos para enfrentar a degradação do solo, a desertificação e os efeitos cada vez mais severos das secas. A reunião está prevista para ocorrer em Ulan Bator, na Mongólia, em 2026.

Embora o financiamento seja uma das prioridades tradicionalmente associadas às negociações da convenção, não há, nas informações verificáveis disponíveis, confirmação de que a COP17 esteja atualmente entrando em uma semana decisiva. A COP16 da UNCCD foi realizada em Riade, na Arábia Saudita, entre 2 e 13 de dezembro de 2024, e terminou com compromissos voltados ao fortalecimento da resiliência contra a seca e à recuperação de terras degradadas.

O debate financeiro é considerado central porque a desertificação afeta diretamente a produção de alimentos, o abastecimento de água, a renda de comunidades rurais e os fluxos migratórios. Segundo a ONU, até 40% das terras do planeta já apresentam algum nível de degradação, enquanto secas mais frequentes e prolongadas ampliam a pressão sobre regiões vulneráveis.

Países em desenvolvimento defendem que as nações mais ricas ampliem o apoio financeiro, tecnológico e técnico destinado à recuperação de áreas degradadas. Entre as medidas discutidas estão projetos de restauração de solos, práticas agrícolas adaptadas ao clima, sistemas de alerta para secas e políticas de proteção de comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais.

O financiamento, no entanto, enfrenta obstáculos relacionados à disponibilidade de recursos públicos, ao acesso de países de baixa renda aos fundos internacionais e à dificuldade de transformar compromissos políticos em projetos executáveis. Organizações ambientais também alertam que parte dos investimentos anunciados não chega às comunidades locais, que estão entre as mais afetadas pelos impactos da degradação ambiental.

Outro ponto relevante para a COP17 será o acompanhamento das metas estabelecidas pela convenção. A UNCCD trabalha para estimular os países a alcançar a chamada neutralidade da degradação da terra, conceito que prevê equilibrar a quantidade e a qualidade das áreas degradadas com ações de recuperação e manejo sustentável.

A escolha da Mongólia como sede coloca no centro das discussões a experiência de países sujeitos à desertificação, à escassez de água e à degradação de pastagens. O país enfrenta desafios associados à expansão de áreas áridas e à pressão sobre os recursos naturais, especialmente em regiões utilizadas pela pecuária nômade.

Até a realização da conferência, os governos deverão definir prioridades nacionais, apresentar projetos e negociar mecanismos para ampliar a mobilização de recursos. A expectativa é que a próxima rodada de negociações avance na definição de instrumentos capazes de aproximar os compromissos internacionais das necessidades de agricultores, comunidades tradicionais e populações expostas à seca.

O tema também deverá ser articulado com outras agendas ambientais, como as mudanças climáticas, a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar. A recuperação de terras é apontada por especialistas como uma medida com potencial para reduzir emissões, proteger ecossistemas e fortalecer a adaptação de comunidades aos eventos climáticos extremos.

Sem financiamento previsível e de longo prazo, contudo, os compromissos internacionais tendem a permanecer limitados. Por isso, a COP17 deverá ser acompanhada de perto por países vulneráveis, organizações multilaterais e entidades da sociedade civil interessadas em transformar metas de combate à desertificação em ações concretas.

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