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Venezuela: Terremotos deixam 164 mortos e quase mil feridos; resgates continuam em áreas de risco

Os terremotos que atingiram a Venezuela entre os dias 28 de junho e 3 de julho deixaram um total de 164 mortos e mais de 900 feridos, segundo o último balanço divulgado pelo governo regional e autoridades de saúde. A sequência de abalos, com magnitudes entre 5,5 e 6,2 na escala Richter, afetou principalmente as regiões de Mérida, Barinas e Táchira, destruindo casas, edifícios e infraestrutura crítica.

O primeiro tremor, registrado na noite do dia 28, teve epicentro no sudoeste do país, a cerca de 120 km de Caracas. Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), as réplicas continuaram durante os primeiros dias de julho, complicando os esforços de resgate. “A principal prioridade é localizar sobreviventes em edifícios colapsados e fornecer assistência médica imediata”, afirmou o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, em coletiva no dia 2 de julho.

As autoridades informaram que equipes de resgate, com apoio de drones e cães farejadores, estão operando em zonas de risco em Caracas e Barquisimeto. Mais de 500 equipes de voluntários, incluindo profissionais de saúde e engenheiros, estão envolvidos nas buscas. A Cruz Vermelha e organizações internacionais doaram kits de emergência, água e alimentos para os desabrigados.

A ONG Venezuelanos por la Vida, que monitora a crise humanitária, destacou que a situação é agravada pela escassez de recursos médicos no país. “O sistema de saúde já enfrenta desafios pré-existentes, e agora está sobrecarregado”, disse a diretora da entidade, María Fernanda Calle. Apesar disso, hospitais em Caracas e Maracay estão operando em regime de 24 horas para atender as vítimas.

Os terremotos também causaram danos estruturais a rodovias e pontes, prejudicando o transporte de ajuda. A presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na quarta-feira (4/7) uma campanha nacional de doações para reconstrução. “Pedimos à população que doe sangue, alimentos e materiais de construção”, afirmou Maduro, durante um discurso transmitido pela TV.

Segundo o INE (Instituto Nacional de Estadística), mais de 300 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas nos primeiros dias após os abalos. Centros de acolhimento foram montados em praças esportivas e estádios, com capacidade para abrigar 10 mil pessoas. A ONU está em negociação com o governo para enviar assistência técnica e equipamentos para a reconstrução.

As causas dos terremotos estão sendo investigadas por geólogos. A Venezuela está em uma zona de convergência tectônica, embora eventos de alta magnitude sejam relativamente raros na região. “Não podemos descartar a possibilidade de réplicas nos próximos dias”, alertou o geofísico Juan Carlos Martínez, da Universidade Central de Venezuela.

Enquanto os esforços de resgate continuam, a comunidade internacional observa a crise. O presidente colombiano, Gustavo Petro, ofereceu apoio logístico para a Venezuela, enquanto o Brasil anunciou uma doação inicial de R$ 2 milhões em ajuda humanitária.

Este é o maior número de mortes registrado em terremotos na Venezuela desde 2018, quando um tremor de 6,5 graus atingiu a mesma região, deixando 82 mortos. A atual crise reforça a necessidade de políticas públicas para mitigar riscos naturais no país.

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