
Titulares de cartórios registraram a maior média de patrimônio declarado no Imposto de Renda 2026, ultrapassando outras categorias profissionais em transparência fiscal, segundo dados divulgados pela Receita Federal.
O levantamento, baseado em informações coletadas no ano-calendário de 2025, revela que 87% dos notários informaram bens imóveis, veículos e investimentos em seus formulários de declaração, posicionando o setor como referência em conformidade tributária.
Segundo a Receita, a elevada aderência ao regime de declaração se deve à estrutura organizacional dos cartórios, que mantêm sistemas contábeis atualizados e orientam os profissionais sobre obrigações fiscais. “Os notários, por natureza de suas atividades, possuem uma gestão financeira mais rígida, o que reflete diretamente na qualidade das declarações”, afirmou um porta-voz da instituição.
Entre as categorias profissionais analisadas, os titulares de cartórios declararam uma média de R$ 1,2 milhão em patrimônio, 34% acima da média nacional. A maior concentração de bens está em regiões metropolitanas, onde o valor médio chega a R$ 1,8 milhão, segundo o relatório.
Profissionais do setor destacam que a transparência contribui para a credibilidade do sistema notarial. “A declaração de bens é um ato de responsabilidade que fortalece a imagem de nossos cartórios”, explicou o presidente da Associação Nacional de Notários do Brasil (ANB).
Apesar da liderança, especialistas alertam para a necessidade de manter vigilância sobre eventuais irregularidades. Estudos da Fundação Getúlio Vargas apontam que 12% das declarações do setor ainda apresentam inconsistências, principalmente em bens mobiliários.
A Receita Federal planeja intensificar a análise de declarações de profissionais com patrimônios superiores a R$ 5 milhões, utilizando inteligência artificial para cruzar informações com registros de imóveis e empresas vinculadas.
Para o ano de 2027, a expectativa é que a média de patrimônio dos notários cresça 8%, considerando a valorização do mercado imobiliário e a expansão dos serviços notariais digitais.
O resultado reforça a importância de políticas públicas que incentive a transparência fiscal em setores estratégicos da economia, promovendo equilíbrio entre compliance e desenvolvimento econômico.
