
No último dia [data do evento], uma situação polêmica reverberou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) quando a deputada estadual do Partido Liberal (PL) utilizou maquiagem preta em uma ação que visava criticar a colega de parlamento, Érika Hilton, do PSOL. O ato, além de suscitar debates sobre liberdade de expressão, acendeu discussões sobre racismo e apropriação cultural no meio político brasileiro.
A deputada, que alegou atuar em defesa da liberdade de expressão e denunciar o que considera “hipocrisia política”, gerou uma onda de reações entre os parlamentares, ativistas e a sociedade civil. Ao se apresentar com a pele pintada de preto, ela direcionou suas críticas à forma como Hilton, uma ativista histórica pelos direitos LGBTQIA+ e negra, foi recebida na Casa. A cena, feita em um ambiente que deveria promover um debate saudável, provocou indignação em diversas camadas da população.
A Alesp, que já havia enfrentado desafios relacionados à diversidade e inclusão, passou a ter suas práticas questionadas após o ocorrido. A utilização de blackface, uma prática que remete a estereótipos raciais prejudiciais e ao passado discriminatório do teatro e da cultura popular, levantou preocupações sobre a cultura do racismo institucional que, segundo especialistas, ainda permeia diversas instituições brasileiras.
Érika Hilton, por sua vez, comentou o incidente em suas redes sociais, afirmando que o comportamento foi “inaceitável e perigoso”. A deputada ressaltou que tais atitudes não apenas ferem a comunidade negra, mas também desviam a atenção de questões reais enfrentadas no dia a dia da população brasileira, como desigualdade, violência e falta de oportunidades.
O evento gerou uma série de reações nas redes sociais, com muitos usuários criticando e condenando a atitude da deputada do PL. Várias organizações antirracistas manifestaram apoio a Hilton e repúdio à ação da colega, afirmando que o episódio reflete uma desconexão entre o que se espera de representantes eleitos e o que realmente é praticado no espaço político.
Em resposta à crítica pública, a deputada do PL se defendeu, afirmando que sua intenção nunca foi desmerecer ou ridicularizar a luta da deputada Hilton, mas sim chamar a atenção para pautas que considera prioritárias na Alesp. O uso de blackface como instrumento de protesto, no entanto, foi amplamente reinterpretado por muitos como uma trivialização da luta antirracista e das questões de gênero que cercam a atuação de Hilton.
Além de reacender o debate sobre o racismo nas instituições brasileiras, o ocorrido também propõe reflexões sobre o papel dos parlamentares na construção de um ambiente de respeito e dignidade. Associações e movimentos sociais aproveitam para pedir mais responsabilidade e coerência por parte dos representantes, evitando ações que possam perpetuar estereótipos e práticas discriminatórias.
O incidente deixou claro que ainda há um longo caminho a ser percorrido no que tange à diversidade e à representatividade nas esferas de poder. O caso da deputada do PL e sua escolha de protesto abriram um espaço importante para que o Brasil enfrente e discuta em profundidade as questões raciais e de gênero na política.
À medida que a Alesp se prepara para as próximas votações e discussões, observadores e cidadãos esperam que episódios como este sirvam como catalisadores para a promoção de práticas mais respeitosas e inclusivas dentro do legislativo paulista e, por consequência, em todo o país.
