POLÍTICA

Parada LGBTQIA+ no Rio defende mais representantes no Legislativo

Na manhã deste domingo (15), o centro do Rio de Janeiro se transformou em um grande palco de celebração e reivindicação com a 20ª edição da Parada LGBTQIA+. Entre as pautas centrais, a comunidade exigiu maior participação de representantes LGBTQIA+ nos Poderes Legislativo federal e estadual, destacando a necessidade de leis mais inclusivas e a proteção contra discriminação estrutural.

A concentração, que reuniu milhares de pessoas no Largo da Carioca, foi marcada por discursos de líderes da comunidade e ativistas internacionais. A vereadora Flávia Arruda (PSB), uma das organizadoras do evento, afirmou: “A luta não se limita à visibilidade. Queremos transformação real no Congresso Nacional para aprovar políticas públicas que garantam direitos iguais e combata o preconceito institucionalizado.”

Entre as reivindicações apresentadas, está a aprovação da PEC 11 da Reforma Tributária, que inclui a isenção de impostos para empresas que promovam programas de diversidade, e a regulamentação do artigo 1º da Lei 13.256/2016, que estabelece a proteção contra discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) foi uma das convidadas especiais a defender a importância de parlamentares LGBTQIA+ na formulação de políticas públicas.

Apesar da celebração, o evento também abordou desafios recentes. Em junho, o STF adiou o julgamento de uma ação que questiona a validade do casamento entre pessoas do mesmo sexo celebrado em estados que não aderiram à lei federal. A presidente da Anis – Instituto de Bioética, Dra. Maria Lúcia Kfouri, destacou: “A judicialização deve ser um meio, não um fim. Precisamos de um arcabouço legal sólido para que assegurar direitos se torne uma realidade concreta, não uma batalha constante.”

O desfile contou com a presença de artistas como Anitta e Pabllo Vittar, que utilizaram seus discursos para reforçar a mensagem de inclusão. Durante o evento, foi lançado o “Plano Nacional de Inclusão LGBTQIA+”, uma iniciativa do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos que prevê a contratação de 10 mil assessores técnicos para estados e municípios com baixo índice de representatividade.

Segundo dados do IBGE divulgados em maio, 6,4% da população brasileira identifica-se como parte da comunidade LGBTQIA+. No entanto, apenas 2,1% dos deputados federais e 1,8% dos senadores pertencem a esse grupo. “Esse descompasso entre a realidade social e a composição do Parlamento reflete um esforço de mudança demorado e insuficiente”, afirmou o ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Ronaldo Fleury, em coletiva após o evento.

A próxima etapa das reivindicações será um encontro no Senado Federal no próximo mês, onde parlamentares e ativistas discutirão propostas para aumentar a quota de vagas para candidatos LGBTQIA+ nas eleições de 2024. Enquanto isso, a comunidade continua mobilizada, lembrando que “a luta por igualdade é constante e exige ações concretas, não apenas palavras”, como destacou o manifestante Davi Souza, de 26 anos.

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