POLÍTICA

Operação da PF resulta em prisões de bicheiro, ex-presidente da Alerj e pastor

No início da manhã desta quinta-feira (12), a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação que resultou na prisão de um bicheiro acusado de organização criminosa, um ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) investigado por lavagem de dinheiro e um pastor preso por suposta manipulação de recursos religiosos. A ação, batizada de “Custódia”, envolveu 120 agentes em 12 municípios do Rio de Janeiro.

De acordo com a PF, o bicheiro identificado como Carlos Nascimento é investigado desde 2021 por operar um esquema de aposta ilegal com movimentação de R$ 250 milhões mensais. Entre 2018 e 2023, ele teria repassado R$ 30 milhões a políticos e assessores para garantir liberdade de prisão. Nascimento, que já cumpre prisão preventiva em Curitiba, foi localizado no interior do Espírito Santo após investigações com base em interceptações telefônicas.

Já o ex-presidente da Alerj, Marcos Ribeiro, teve prisão decretada por juízo federal após a conclusão de inquérito que aponta pagamento de propina para aprovação de projetos de interesse do bicheiro. Ribeiro, que exerceu o cargo de 2019 a 2022, teria recebido valores por meio de empresas de fachada no exterior. A defesa do parlamentar afirma que ele não será localizado por tempo indeterminado, mas a PF está mantendo vigilância em sua residência.

O pastor preso, identificado como João Ferreira, é acusado de desviar doações da comunidade religiosa para financiar o esquema. Investigadores encontraram em sua residência na Barra da Tijuca documentos que indicam a existência de uma empresa virtual, “Santos e Prósperos”, utilizada para lavagem de dinheiro. Ferreira, que lidera uma igreja com mais de 5 mil fiéis, afirmou em entrevista que vai apresentar versão completa após contato com a família.

A operação foi coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e incluiu 24 buscas em imóveis, veículos e contas bancárias. Foram apreendidos 23 carros de luxo, joias e R$ 1,2 milhão em espécie. O chefe da PF no Rio, delegado Sérgio Lopes, afirmou que a operação “demonstra a determinação das autoridades em combater o entrelaçamento entre crime organizado e redes políticas”.

Reações políticas já começam a surgir. O presidente da Alerj, Luiz Paulo, classificou a ação como “um sinal positivo para a transparência da máquina pública”, enquanto o deputado estadual Pedro Freire (PSB) criticou a “perseguição seletiva”. O caso está sendo analisado pelo Conselho de Ética da Assembleia e pode levar à cassação de mandatos de parlamentares envolvidos.

O Ministério Público informou que o bicheiro e seus aliados responderão a 12 acusações, incluindo formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A defesa da Alerj informou que vai colaborar com as investigações e pedir a suspensão de membros investigados. A operação é a maior da PF em 2024 e está sendo acompanhada em tempo real por dezenas de veículos nacionais e internacionais.

A prisão de personalidades de diferentes segmentos da sociedade reforça o debate sobre o combate à corrupção no Brasil. Organizações de direitos humanos divulgaram nota pedindo que a ação não se transforme em “perseguição ideológica”, enquanto entidades de combate ao crime elogiam a “eficiência da ação conjunta entre PF e MPF”. O caso será tema de debates parlamentares na semana que vem.

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