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Sinfonia criada para a inauguração de Brasília celebra legado de JK em espetáculo em Belo Horizonte

Uma obra musical criada para celebrar a inauguração de Brasília volta a destacar o legado do ex-presidente Juscelino Kubitschek em Belo Horizonte. A apresentação de “Brasília, Sinfonia da Alvorada” ocorre neste fim de semana e reúne música, poesia e memória histórica em torno de um dos projetos mais simbólicos do desenvolvimento brasileiro no século 20.

Composta pelo maestro Antonio Carlos Jobim, o Tom Jobim, a partir de texto de Vinicius de Moraes, a sinfonia foi encomendada durante o governo de Juscelino Kubitschek para marcar a construção da nova capital federal. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, depois de pouco mais de três anos de obras no Planalto Central.

A obra combina elementos sinfônicos e declamação poética para narrar a transformação do território onde a cidade foi construída. O texto de Vinicius descreve a paisagem do cerrado, a chegada dos trabalhadores e o surgimento dos edifícios projetados por Oscar Niemeyer e do plano urbanístico elaborado por Lúcio Costa.

Dividida em movimentos que fazem referência ao planalto, aos candangos, ao trabalho e à construção da cidade, a composição apresenta uma interpretação artística do projeto de modernização defendido por Kubitschek. O presidente adotou como lema de governo a promessa de realizar “50 anos em 5”, associando a construção de Brasília a investimentos em infraestrutura e à interiorização do desenvolvimento nacional.

O espetáculo em Belo Horizonte recupera esse contexto histórico sem se limitar a uma homenagem biográfica. A apresentação também evidencia a participação de diferentes áreas da cultura brasileira na criação da capital. A arquitetura, o urbanismo, a literatura e a música aparecem articulados em uma obra concebida para traduzir, em linguagem artística, a dimensão política e simbólica de Brasília.

A narrativa da sinfonia também dá destaque aos candangos, trabalhadores vindos de diversas regiões do país para atuar na construção da cidade. Milhares de pessoas participaram das obras em condições difíceis, contribuindo para a rápida execução do projeto. A presença desses trabalhadores é um dos aspectos centrais da memória de Brasília e aparece representada na composição de Jobim e Vinicius.

Além do valor musical, “Brasília, Sinfonia da Alvorada” é considerada um registro do ambiente cultural e político do período. A obra expressa o entusiasmo associado à criação da nova capital, mas também preserva referências ao esforço humano necessário para transformar o projeto modernista em realidade.

Para o público mineiro, a apresentação cria uma oportunidade de revisitar um episódio decisivo da história brasileira por meio de uma das parcerias mais conhecidas da música nacional. A combinação entre orquestra e texto declamado mantém a estrutura original da obra e reforça o diálogo entre a composição erudita e a canção brasileira.

O espetáculo ocorre em Belo Horizonte durante o fim de semana. Informações sobre horário, local, ingressos e classificação devem ser consultadas nos canais oficiais dos organizadores. A realização integra a programação cultural dedicada à preservação da memória de Brasília e à trajetória de Juscelino Kubitschek, mineiro de Diamantina e ex-presidente responsável pelo projeto de transferência da capital para o interior do país.

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