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Greve de ônibus no Rio: em 3° dia, metrôs e trens reforçam operações para mitigar impactos

No terceiro dia consecutivo de greve dos ônibus no Rio de Janeiro, o sistema metroviário e ferroviário intensificou operações para minimizar os impactos do paralisação, que atinge mais de 5.000 veículos de transporte coletivo na região metropolitana. A categoria, que reivindica reajustes salariais e melhores condições de trabalho, mantém 90% da frota paralisada, segundo dados da Companhia Estadual de Transporte (CET-RJ).

O metrô e os trens da concessionária Rio Urbanos registraram aumento de 25% no número de passageiros em comparação ao mesmo período da semana anterior, segundo informações do Sistema Rio Metrô. Em resposta, a empresa aumentou o número de trens em circulação e ampliou o horário de operação em algumas linhas até as 1h da madrugada. Passageiros relatam, porém, superlotação em estações centrais como Central do Brasil e Uruguai.

A greve, que começou na quinta-feira (15), afeta 160 linhas de ônibus no município do Rio, incluindo trajetos essenciais para o transporte de trabalhadores da zona portuária e do centro da cidade. Motoristas reafirmam que a negociação com o governo estadual está em impasse desde 2023, com demandas por reajuste salarial de 15% e incorporação da inflação acumulada nos últimos dois anos.

A Secretaria Estadual de Transportes anunciou na sexta-feira (16) que está analisando a possibilidade de autorizar a entrada em operação de veículos da frota reserva, que atualmente estão em manutenção preventiva. A pasta também reforçou o apelo para que motoristas voltem a circular até a próxima terça-feira (19), evitando prejuízos ao setor econômico da capital fluminense.

Comerciantes de bairros como Copacabana e Ipanema relatam queda de 30% no movimento de clientes, atribuindo o impacto à greve. A Associação Comercial do Rio (ACRio) informou que está em contato com os sindicatos para mediar uma solução, ressaltando que o setor de serviços já enfrenta desafios com a desaceleração do turismo pós-Carnaval.

A mobilização dos trabalhadores conta com o apoio de sindicatos de setores como construção civil e educação, que organizam campanhas de solidariedade com caravanas de ônibus alternativos em bairros periféricos. Já os usuários do transporte público estão divididos: enquanto alguns defendem o direito à greve, outros criticam o impacto na rotina de estudantes e trabalhadores de baixa renda.

Segundo a CET-RJ, a expectativa é de que a greve se encerre nos próximos dias após a reunião prevista entre representantes dos sindicatos e a Assembleia Legislativa do Estado. A entidade reitera que a prioridade é garantir a segurança dos passageiros e a continuidade dos serviços essenciais.

Enquanto isso, a Prefeitura do Rio reforçou os meios de comunicação para orientar a população sobre alternativas de transporte, incluindo a ampliação da frota de vans comunitárias e a reativação de rotas de ônibus turísticos para tráfego regular. A Secretaria Municipal de Mobilidade também alerta para o risco de acidentes em vias que normalmente são acessadas por ônibus, com aumento de veículos particulares nas ruas.

A crise no transporte público reacende debates sobre a necessidade de diversificação do sistema de mobilidade na cidade, com especialistas apontando a ampliação da integração entre metrô, trem e ônibus como solução a longo prazo para evitar paralisações repetitivas.

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