
No dia 15 de abril de 2024, a Polícia Federal deflagrou uma operação envolvendo investigações contra executivos de três grandes instituições bancárias brasileiras. Executivos do Itaú Unibanco, do Banco do Brasil (ligado ao Santander) e do Bradesco são alvos de inquéritos relacionados a suspeitas de atos de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilhas organizadas.
A operação, intitulada “Alvo Fiel”, conta com o apoio do Ministério Público Federal e da Controladoria Geral da União. Até o momento, onze mandados de prisão preventiva e vinte e quatro de busca e apreensão foram cumpridos em várias cidades do país. Entre os investigados estão altos diretores das áreas de crédito e compras corporativas dos bancos mencionados.
A investigação surgiu após a denúncia de uma empresa de tecnologia financeira, que alega ter sido compelida a pagar propinas para garantir contratos com as instituições bancárias investigadas. De acordo com as autoridades, o esquema teria movimentado recursos superiores a R$ 200 milhões entre 2019 e 2023, com repasses feitos por meio de empresas de fachada no exterior.
Os bancos envolvidos divulgaram notas oficiais reforçando que colaboram integralmente com as investigações. O Itaú Unibanco destacou que “tem uma cultura ética robusta e está comprometido com a transparência de todas as suas operações”. O Bradesco afirmou que “rejeita veementemente quaisquer práticas ilegais e está tomando as medidas necessárias para cooperar com as autoridades”.
A operação ocorre num contexto de intensificação das ações contra a corrupção no setor financeiro brasileiro. Em 2023, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas normas de compliance corporativo, aumentando as penalidades para instituições que não adotarem mecanismos eficazes de prevenção a ilícitos.
Advogados especialistas em direito penal econômico destacam que a investigação pode ter implicações significativas para o sistema financeiro brasileiro. “Operações dessa magnitude reforçam a necessidade de transparência nas relações entre grandes corporações e o Estado”, comenta o professor de direito da Universidade de São Paulo (USP) Carlos Alberto de Melo.
A Polícia Federal informou que a operação ainda está em fase de coleta de provas e que novas ações podem ser anunciadas nas próximas semanas. Os investigados têm direito a apresentar suas defesas nos próximos dias, conforme prevê a legislação processual brasileira.
