
Investigações da Operação Mineração Legal, conduzidas pelo Ministério Público Federal em Minas Gerais, revelaram indícios de um esquema de exploração de minérios sem licenças ambientais válidas, envolvendo empresas ligadas a Antonio Carlos Arantes, ex-governador do estado. O esquema, que teria ocorrido entre 2002 e 2006, durante o mandato de Arantes, incluiria a concessão de autorizações irregulares para empresas que exploravam minério de ferro em terras públicas.
Segundo o MPF, pelo menos 12 empreendimentos minerários operaram de forma ilegal em áreas protegidas da Serra do Cipó, região de formações geológicas de alta relevância ambiental. As investigações apontam que os responsáveis pelo esquema teriam subornado servidores públicos para obter autorizações de exploração, além de pagar propina a políticos mineiros para evitar fiscalizações.
O inquérito, em andamento há mais de quatro anos, obteve informações de delatores que afirmam ter recebido orientações diretas de Arantes para driblar normas ambientais. Entre os beneficiários das irregularidades, constam empresas como a Mineração Vale do Cipó e a Siderúrgica Leste Mineiro, ambas investigadas por derramamento de resíduos tóxicos em rios da região.
O ex-governador, que deixou o cargo em 2006, nega qualquer envolvimento direto. Em nota, seu advogado afirma que “as acusações são baseadas em delações premiadas e não há provas concretas de participação de Antonio Carlos Arantes no esquema”. O MPF, por sua vez, enfatiza que a investigação está em fase de conclusão, com possíveis ações penais em breve.
A operação do MPF também apontou danos ambientais estimados em R$ 120 milhões, incluindo erosão de encostas e poluição de mananciais. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEAM) informou que 80% das áreas mineradas ilegalmente ainda não foram recuperadas, comprometendo a biodiversidade local.
Arantes, que atualmente lidera uma pré-campanha discreta para o Senado Federal, enfrenta crescente pressão política. O caso reacende debates sobre transparência na concessão de licenças minerárias no Brasil e a necessidade de fortalecer fiscalizações em áreas estratégicas.
O Ministério Público Federal afirma que segue em contato com a Polícia Federal para obter novas provas. Caso concretizado, o esquema de Arantes pode gerar uma das maiores condenações por corrupção ambiental da história mineira.
