POLÍTICA

Ala do PSD no SP articula apoio ao Senado ou reforça candidatura de Salles

No cenário político de São Paulo, o Partido Social Democrático (PSD) enfrenta um momento crítico de articulação interna. A ala do partido que defende a candidatura própria ao Senado Federal ou apoio ao ex-ministro do Meio Ambiente, Paulo Salles, está em movimentação intensa para consolidar alianças e direcionar recursos estratégicos. A definição do rumo do PSD no Estado poderá impactar significativamente a campanha eleitoral de 2024, especialmente em um Estado que concentra 28% dos votos nacionais.

Fontes ligadas ao partido confirmam que uma frente articulada por parlamentares e dirigentes estaduais estuda a viabilidade de lançar candidatura própria ao Senado, priorizando figuras com trânsito no cenário nacional. Entre os nomes cogitados estão o deputado federal Allan Pessoa, que tem experiência em áreas como educação e desenvolvimento regional, e o deputado estadual Paulo Salles, irmão do ex-ministro, conhecido por sua atuação em políticas ambientais. Ambos possuem base de apoio consolidada em regiões estratégicas do interior paulista.

Por outro lado, integrantes do PSD defendem a manutenção do apoio a Paulo Salles, que enfrenta uma disputa acirrada contra o PDT (Partido Democrático Trabalhista) e o PSB (Partido Socialista Brasileiro) na corrida ao Senado. O ex-ministro, acusado de práticas ambientais questionáveis durante o governo Bolsonaro, tem buscado reestruturar sua imagem política com foco em projetos de sustentabilidade. A sustentação de seu nome pelo PSD dependerá da capacidade do partido em medir o custo eleitoral das acusações que pesam sobre ele.

A divisão interna do PSD reflete a complexidade de equilibrar interesses regionais e nacionais. Enquanto a bancada federal do partido no Estado prioriza uma candidatura que minimize riscos judiciais e políticos, grupos locais pressionam pela preservação de lideranças tradicionais. Essa tensão é observada também em outras legendas, como o MDB e o Cidadania, que enfrentam dilemas semelhantes em regiões estratégicas.

Analistas políticos destacam que a definição da candidatura do PSD em São Paulo poderá influenciar diretamente o equilíbrio de forças no triângulo Rio de Janeiro-São Paulo-Minas Gerais, região considerada um colo de alívio para candidatos à Presidência da República. “A escolha de um candidato sem histórico de escândalos pode atrair eleitores de centro, mas a lealdade dos militantes ao ex-ministro Salles ainda é um fator a ser medido”, afirma o professor de ciência política Rafael Gomes, da Universidade de São Paulo.

Até o fechamento desta reportagem, o PSD não divulgou publicamente posição oficial sobre os nomes a serem apoiados. A expectativa é que a ala do partido em São Paulo defina as estratégias finais nos próximos meses, em reuniões marcadas com lideranças nacionais e estaduais. A disputa interna entre a candidatura própria e o apoio a Paulo Salles permanece como um dos vetores mais observados na campanha eleitoral.

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