
Em recente pronunciamento, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou veementemente os grupos de influência que se opõem ao encerramento da escala 6 por 1, modelo de trabalho adotado por parte da administração municipal. A declaração coincide com a divulgação do projeto “Move Brasil”, iniciativa federal que busca modernizar leis trabalhistas e redefinir normas laborais no país.
O esquema de trabalho conhecido como “escala 6 por 1” prevê seis horas de trabalho seguidas por uma hora de descanso, repetindo-se em ciclos de sete horas diárias. Apesar de ser legalizado, a prática tem gerado controvérsias, especialmente por impactar setores como saúde, segurança e educação. Nunes argumenta que a manutenção do modelo é economicamente onerosa para o município, além de desagradar a sindicatos e representantes dos trabalhadores.
“Esses lobbies têm se oposto ao fim da escala 6 por 1 não por razões técnicas, mas por interesses que ultrapassam a necessidade de modernizar o serviço público”, afirmou Nunes em discurso na Câmara Municipal. Ele destacou que a transição para modelos mais flexíveis, como jornadas divididas em 8 horas diárias, reduziria custos operacionais e aumentaria a produtividade. No entanto, grupos de empresas ligadas ao transporte, saúde e comércio têm se mobilizado contra a mudança, alegando que a escala atual garante estabilidade a seus colaboradores.
O anúncio do “Move Brasil”, projeto do Ministério da Economia, adicionou dinamismo à discussão. A iniciativa propõe ajustes na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), entre eles a regulamentação de horários flexíveis e a simplificação de processos trabalhistas. Apesar do apoio de empresários, sindicalistas alertam para o risco de flexibilização excessiva das normas, que pode precarizar empregos. “A economia precisa crescer, mas sem sacrificar direitos conquistados por décadas”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, em nota pública.
No cenário político, o tema divide opiniões. Partidos como o PSB e o Cidadania defendem a revisão da escala como medida de eficiência, enquanto o PT e o PCdoB reforçam a necessidade de garantir segurança aos trabalhadores. A votação de projetos relacionados ao “Move Brasil” está prevista para o segundo semestre de 2024, após debates em comissões temáticas do Congresso.
Enquanto o debate se intensifica, especialistas destacam a complexidade da questão. Segundo a economista Ana Beatriz Ferreira, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, a transição de modelos de trabalho depende de negociações coletivas e adequação a realidades setoriais. “Não há uma solução única. Cada empresa e setor tem demandas distintas”, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico.
Para os próximos meses, o foco está na articulação entre governos federal e municipais, além de diálogo com as centrais sindicais. A aprovação do “Move Brasil” e a eliminação da escala 6 por 1 podem definir o rumo de políticas trabalhistas no Brasil nos próximos anos.
O jornal permanece atento ao desenvolvimento do caso, com atualizações sobre audiências públicas, debates legislativos e manifestações da sociedade civil.
