POLÍTICA

Ex-candidato a vice-presidente de Zema enfrenta acusação de fraude bilionária em inquérito da PF

O ex-candidato a vice-governador de Minas Gerais, João Silva, está respondendo a acusações graves de orquestrar um esquema de desvio de R$ 6,8 milhões em contratos públicos, conforme revelado por investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). O caso está relacionado a uma operação que envolve empresas de fachada e supostos pagamentos indevidos em licitações no setor de infraestrutura.

De acordo com o inquérito, Silva teria utilizado uma rede de colaboradores para fraudar contratos de obras viárias em municípios mineiros. O esquema, iniciado em 2020, incluiria a utilização de notas fiscais fraudulentas e o pagamento de propinas para garantir a aprovação de licitações. O valor total estimado do desvio é de R$ 6,8 milhões, conforme documento divulgado pelo MPF em 15 de outubro de 2023.

A operação, batizada de “Orion”, foi deflagrada após denúncias anônimas apontarem irregularidades em convênios entre o governo estadual e empresas ligadas a Silva. Equipes da PF realizaram 17 buscas e apreensões em diferentes estados, além de interrogar ex-funcionários da gestão Zema. Entre os principais elementos apreendidos estão documentos contábeis, extratos bancários e equipamentos eletrônicos.

O ex-candidato nega as acusações e afirma que está colaborando com as investigações por meio de seu advogado. Em nota oficial, seu representante jurídico declarou: “Não há elementos concretos para fundamentar as alegações do MPF. João Silva sempre atuou de forma transparente em suas responsabilidades políticas e empresariais”.

O caso está sendo analisado judicialmente com prisão preventiva de quatro colaboradores próximos do ex-vice. O MPF pediu que Silva responda por crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsificação de documentos. Se condenado, enfrentaria pena de 12 a 15 anos de reclusão.

A ação gerou repercussão no cenário político mineiro, com críticas da oposição ao governador Romeu Zema por não ter promovido ações preventivas durante seu mandato. Ativistas de combate à corrupção destacaram a necessidade de maior fiscalização em contratos públicos, enquanto defensores do ex-candidato reforçam a importância de aguardar o esgotamento do processo judicial.

Este é o segundo caso de investigação contra membros da equipe de Zema em menos de um ano. Em 2022, outro ex-secretário foi acusado de desvios em programas sociais, resultando em uma condenação de 8 anos. A atual gestão estadual anunciou recentemente a criação de uma comissão especial para auditoria de contratos firmados nos últimos cinco anos.

Após as revelações, o Partido Novo, ao qual Silva pertence, decidiu suspender temporariamente sua filiação. A entidade afirmou que aguardará o desfecho do processo para definir medidas futuras. Enquanto isso, a PF informou que está investigando possíveis conexões entre o esquema mineiro e outras operações em estados do Sul do país.

O caso será julgado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com audiências previstas para o início de 2024. A justiça federal também solicitou a colaboração de especialistas em contabilidade forense para a análise do fluxo de recursos. O MPF enfatizou que a operação faz parte de uma ampla campanha para combater práticas de corrupção em níveis estaduais e federais.

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