
O senador Aécio Neves (PSDB-MG), ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência em 2026, criticou duramente as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) por não resolverem a polêmica escala 6×1, adotada no serviço de saúde pública em Minas Gerais. Em coletiva pública em Belo Horizonte, Neves afirmou que a implementação de uma escala mais equilibrada é uma “tendência universal” que precisa ser adotada para melhorar o atendimento à população.
A escala 6×1, em vigor desde 2019, estabelece uma rotina de trabalho de 6 horas de serviço seguidas por 1 hora de folga para profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros. Embora defendida por governos estaduais como solução para supostamente reduzir custos, a medida tem gerado críticas por parte de sindicatos e entidades médicas, que argumentam que reduz a qualidade do atendimento.
“O modelo 6×1 é um equívoco. Tanto o governo federal quanto os estaduais têm responsabilidade nisso. Não podemos mais tolerar a precarização do serviço público de saúde”, disse Aécio, destacando a necessidade de priorizar a segurança dos profissionais e dos pacientes. Ele propôs a criação de uma comissão parlamentar para analisar modelos internacionais de escala de trabalho e propor alternativas.
Lula, em pronunciamento recente, defendeu o modelo como “necessário para otimizar recursos”, enquanto Bolsonaro, em evento no Rio de Janeiro, reafirmou que a escala “melhora a produtividade sem comprometer a assistência”. Aécio rebateu ambas as posições, apontando que nenhum dos governos atendeu às demandas do setor em relação a melhores condições de trabalho.
O debate ganha relevância em um momento de crise no sistema público de saúde, com déficit orçamentário e alta taxa de desgaste profissional entre os trabalhadores. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2023, 45% dos profissionais de saúde entrevistados em Minas Gerais relataram aumento de estresse e insatisfação com a escala 6×1.
Aécio destacou que países como Canadá e Alemanha adotam modelos semelhantes de escala, mas com maior investimento em infraestrutura e suporte técnico. “A tendência global não é aumentar a carga horária, mas garantir melhores condições para o profissional”, afirmou, ao citar relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre saúde pública.
O senador também criticou o uso da escala como estratégia para reduzir custos: “Economizar no custo do trabalho não pode vir à custa da vida e da saúde dos cidadãos”. Ele sugeriu a realização de audiências públicas com a participação de representantes das categorias para discutir alternativas viáveis.
O tema divide opiniões no Congresso Nacional. Deputados da base governista defendem a manutenção do modelo, enquanto parlamentares da oposição e entidades médicas pedem sua revisão. Aécio encabeça um projeto de lei que propõe a substituição gradual da escala 6×1 por um modelo de 8 horas de trabalho com 2 horas de folga, acompanhadas de aumento de salários e benefícios para os profissionais.
A polêmica ocorre em um contexto de eleições municipais e debate sobre a reforma do serviço público. Com a proximidade do pleito de 2026, a escala 6×1 pode se tornar um tema central na campanha eleitoral, com implicações também para o cenário nacional.
Enquanto isso, sindicatos de médicos e enfermeiros organizam mobilizações em diversas cidades mineiras para exigir mudanças. “Precisamos de um governo que priorize a saúde, não de um modelo que coloque em risco a vida dos pacientes e dos trabalhadores”, afirmou o presidente da Federação dos Trabalhadores em Saúde de Minas Gerais (Fetsaúde-MG), em nota.
Aécio encerrou sua fala reiterando o apelo por uma “solução que não puna os trabalhadores nem comprometa a qualidade do atendimento”. O senador não descartou a possibilidade de incluir a reforma da escala em sua plataforma eleitoral, caso decida postular à Presidência em 2026.
