EDUCAÇÃO

Adolescente denuncia racismo, intolerância religiosa e agressões em unidade do Coleguium em BH

Um adolescente de 15 anos, aluno da unidade do Coleguium em Belo Horizonte, denunciou à imprensa casos de racismo, intolerância religiosa e agressões físicas dentro do colégio. A família do jovem informou que as práticas ocorreriam desde o início do ano letivo, mas só foram reportadas formalmente após a intensificação dos incidentes.

Segundo o relato, o aluno, que não teve identidade divulgada, enfrenta ofensas racistas em razão de sua cor e origem étnica. Além disso, é alvo de discriminação por praticar uma religião minoritária no Brasil. “Ele me chamou de ‘bicho’ e me disse que ‘não deveria estar aqui’, referindo-se a minha presença no país”, relatou o adolescente em entrevista. Testemunhos de colegas confirmam que o comportamento agressivo seria encorajado por supostas falhas no sistema de supervisão da unidade.

O Coleguium, rede de ensino privada conhecida por sua metodologia inovadora, emitiu uma nota oficial afirmando que “não tolera qualquer forma de discriminação ou violência”. A instituição informou que já iniciou um processo interno de investigação e reafirmou seu compromisso com políticas de inclusão e diversidade. “Estamos colaborando com a família e as autoridades educacionais para garantir a segurança e o bem-estar de todos os alunos”, destacou o comunicado.

Representantes da família do aluno, por meio de advogados, afirmaram que protocolaram um documento na Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte solicitando ações punitivas e preventivas. “Esperamos que sejam adotadas medidas concretas para erradicar o ambiente hostil em que nosso filho foi submetido”, afirmou o comunicado jurídico. A pasta municipal informou que acompanha o caso e que está em contato com a instituição para apurar as denúncias.

O caso reacende debates sobre a segurança em escolas particulares, muitas vezes menos fiscalizadas que as públicas. Deputados locais e ONGs de direitos humanos pedem uma ampliação das ações de monitoramento e formação de professores em temas de convivência escolar. Em 2023, a Justiça Federal já condenou uma instituição de ensino a indenizar uma família após casos de bullying e racismo no interior de Minas Gerais.

A Secretaria de Direitos Humanos do Estado de Minas Gerais informou que abre espaço para receber denúncias de violações em instituições de ensino. “Nossas equipes estão disponíveis para apoiar qualquer família que perceba comportamentos que violem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB)”, afirmou a pasta em nota.

O Coleguium, que atende cerca de 20 mil alunos em 120 unidades no Brasil, mantém um programa institucional de capacitação em direitos humanos. De acordo com a equipe de comunicação da rede, “a educação em valores é parte essencial da nossa proposta pedagógica”.

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