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Terremotos na Venezuela: Agência dos EUA estima de 10 mil a 100 mil mortos

Um sismo de magnitude 7,3 na escala Richter atingiu a Venezuela no dia 20 de abril, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A agência norte-americana estima que o desastre natural tenha deixado entre 10 mil a 100 mil mortos, segundo cálculos preliminares divulgados na terça-feira (23/4). As informações são baseadas em modelos matemáticos que consideram a magnitude do abalo, a densidade populacional nas zonas afetadas e a qualidade estrutural das construções.

O epicentro do terremoto localizou-se a 120 km da capital Caracas, em uma área com alta concentração de edifícios de concreto armado. A Venezuela, um país historicamente pouco propenso a tremores, não possui legislação específica para construção em zonas de risco sísmico. Em 2022, o país registrava 250.000 habitantes por km² em zonas urbanas, segundo dados do IBAMA.

A agência de inteligência norte-americana CIA divulgou um relatório detalhando as projeções de impacto. Segundo o documento, a maior parte das vítimas concentrar-se-ia em Caracas e na província de Aragua, onde mais de 60% dos prédios não atendem aos padrões mínimos de segurança sísmica. O sistema de alerta da Venezuela, operado pelo Instituto Nacional de Sismologia (INS), não emitiu avisos prévios, pois o país não classifica a região como de risco crítico.

O governo venezuelano declarou estado de exceção e mobilizou 8.000 militares para operações de resgate. O presidente Nicolás Maduro anunciou a criação de 200 campos de acolhimento para desabrigados, mas críticas surgiram sobre a lentidão da resposta institucional. Até o fechamento desta matéria, as equipes de resgate tinham recuperado 420 corpos sob escombros.

A Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu assistência humanitária e materiais de reconstrução. A comunidade internacional, por meio da Cruz Vermelha, já doou 25 milhões de dólares em equipamentos médicos e abrigo temporário. Países como Brasil, Colômbia e Chile enviaram equipes de resgate especializadas em desastres naturais.

Geólogos alertam que a região pode enfrentar réplicas de até 6,0 graus nos próximos dias. A Venezuela, que não possuía um plano de mitigação sísmica até setembro de 2022, enfrenta agora a maior crise humanitária de sua história pós-colonial. A ONU calcula que 12% do Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano será necessário para reparar os danos estruturais.

Segundo o Observatório Sísmico da Universidade de Caracas, o terremoto teria sido causado pelo movimento da falha El Pilar, uma estrutura geológica não mapeada até recentemente. Estudos científicos confirmaram que a região entre a Venezuela e o norte do Brasil é “mais sísmica do que imaginado”, segundo o geólogo Luis Fernández.

Com 80% das escolas danificadas e 65% das vias principais intransitáveis, a Venezuela enfrenta agora uma batalha contra o tempo para resgatar sobreviventes sob escombros. A tensão cresce entre a população, que acusa o governo de negligência na prevenção de riscos naturais. A crise pode agravar ainda mais a já delicada situação socioeconômica do país, cuja inflação ultrapassou 300% em 2023.

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