
Agência de Notícias – Brasília – A Polícia Federal (PF) identificou o ex-ministro e senador Jaques Wagner como um “interlocutor relevante” na Operação Master, investigação que apura supostos esquemas de corrupção envolvendo contratos da União. O nome do político foi citado em inquérito aberto no âmbito da Lava Jato, conforme informações divulgadas na quinta-feira (12).
A Operação Master, deflagrada em 2022, investiga a atuação de empresários e servidores públicos na concessão de contratos durante a gestão do ex-presidente Michel Temer. Segundo a PF, Wagner teria exercido influência indireta em decisões ligadas ao setor de energia, área em que atuou como ministro da Casa Civil no governo Lula (2003-2005) e como senador pelo PT.
“O envolvimento do senador Wagner está relacionado a comunicações informais registradas entre 2017 e 2020, período em que ele exercia funções parlamentares”, explicou o delegado-chefe da 12ª Delegacia Federal, que lidera o inquérito. A PF salienta que não há evidências de que Wagner tenha recebido vantagens patrimoniais ou tenha participado de esquemas de lavagem de dinheiro.
O escritório de Wagner informou, em nota, que “não houveram atos ilícitos por parte do senador” e que ele colaborará com as investigações. “A atuação de Jaques Wagner sempre priorizou a transparência e o interesse público”, afirmou o advogado da defesa, Marcus Vinícius Pinto.
A Operação Master já resultou em 42 prisões e a condenação de 18 pessoas, incluindo empresários e ex-funcionários do governo federal. Em audiência pública, o Ministério Público Federal (MPF) destacou que “o caso envolve redes de corrupção organizadas, com práticas de suborno e desvio de recursos públicos”.
Apesar das denúncias, Wagner mantém alta aprovação pública. Pesquisa do Ibope divulgada em julho apontou que 62% dos entrevistados acreditam que o senador age com honestidade em suas funções parlamentares.
O caso segue sob análise do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), responsável por julgar processos relacionados à Lava Jato. A defesa de Wagner pediu a anulação de uma interceptação telefônica considerada “ilegal” por não ter sido autorizada judicialmente.
A PF reforça que as investigações estão em andamento e que não há previsão para conclusão do inquérito principal.
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