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Terremoto na Venezuela: Número de Mortos Chega a Mais de 1.500

Um terremoto de magnitude 7,3 atingiu a Venezuela na noite de quarta-feira (12), deixando mais de 1.500 mortos confirmados e dezenas de milhares de desabrigados. A onda de choque com origem no leste do país, a 150 km da capital Caracas, causou o colapso de prédios, ruas destruídas e interrupção total de serviços essenciais. A Autoridade de Proteção Civil da Venezuela informou que mais de 300 estruturas foram danificadas ou destruídas.

Segundo dados da ONG Global Disaster Alerting System, o número de vítimas pode subir após a identificação de áreas ainda inacessíveis devido a deslizamentos de terra. A cidade de Barquisimeto, epicentro do tremor, foi uma das mais afetadas, com relatos de escolas e hospitais desabados. “Estamos lidando com uma crise humanitária sem precedentes na região”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Freddy Bernal.

As equipes de resgate, apoiadas por equipes internacionais da Colômbia, Chile e Brasil, trabalham em turnos contínuos para localizar sobreviventes sob escombros. Equipamentos de detecção de vida e cães farejadores são utilizados em esforços concentrados em bairros de classe média e baixa, onde a infraestrutura resistente era limitada. A ONG Humanitarian Relief International (HRI) já distribuiu kits de sobrevivência para 20.000 famílias.

Apesar dos esforços, a falta de infraestrutura adequada e a ineficiência nos mecanismos de alerta sísmico são apontadas por especialistas como fatores que aumentaram o impacto. “A Venezuela não possui um sistema nacional de prevenção a desastres atualizado desde 2015”, destacou o geofísico Daniel Márquez, da Universidade Central da Venezuela. O país já enfrentou quatro terremotos significantes na última década, mas nunca com a proporção da atual catástrofe.

O governo declarou estado de emergência e solicitou ajuda internacional através da ONU. A União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciaram doações de equipamentos e financiamento para reconstrução. A ONG Médicos Sem Fronteiras reforçou sua presença no local, com equipes de triagem estabelecidas em campos de acolhida.

A comunidade internacional observa com apreensão a vulnerabilidade crescente da Venezuela a desastres naturais. Com 80% da população vivendo em áreas de risco sísmico e déficit habitacional de 3,2 milhões de unidades, a crise humanitária gerada pelo terremoto pode durar anos. O diretor do Programa das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR), Mami Mizutori, reforçou a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente.

Enquanto os trabalhos de resgate continuam, a preocupação se volta para a estação chuvosa, que começa em fevereiro e pode agravar deslizamentos. As autoridades alertam que a prioridade agora é evitar uma crise de saúde pública, com escassez de água potável e risco de contaminação em abrigos improvisados. A história do país no combate a desastres naturais serve como um triste lembrete da fragilidade de comunidades expostas a riscos geológicos.

Segundo dados do Banco Mundial, a Venezuela é um dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas na América Latina, com 75% de seu território exposto a eventos climáticos extremos. Esta crise, no entanto, reafirma a necessidade de políticas públicas contínuas e transversais para enfrentar desafios ambientais e sociais em contextos de desigualdade estrutural.

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