
Um projeto de saneamento ambiental está em andamento na Estrutural, Distrito Federal, com previsão de beneficiar mais de 20 mil moradores da região. A iniciativa, anunciada pelo governo federal em parceria com a Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do DF), visa modernizar o sistema de esgoto doméstico e reduzir o risco de contaminação de mananciais. O investimento total da obra, que compreende a instalação de novas tubulações e estações de tratamento, alcança a casa de R$ 45 milhões.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério das Cidades, a intervenção atende a uma demanda histórica da comunidade. Atualmente, cerca de 35% dos imóveis na Estrutural não possuem conexão adequada ao sistema de esgoto, resultando em lançamento irregular de resíduos em córregos e em terrenos baldios. “Essa obra é fundamental para a saúde pública e para a preservação do rio São Bartolomeu, que abastece parte do Distrito Federal”, destacou o secretário estadual de Meio Ambiente, João Carlos Mendes, em nota oficial.
A execução das obras está dividida em quatro fases, com término esperado para o segundo semestre de 2025. A primeira etapa, iniciada em março, já contempla a pavimentação de vias temporárias e a implantação de redes de coleta em bairros como Paranoá II e Paranoá III. A Caesb informou que serão instaladas 80 km de tubulações e 12 poços de visita para manutenção. A empresa responsável pela obra, a Odebrecht Ambiental, afirma que todas as intervenções estão sendo feitas com foco em minimizar o impacto ao trânsito local.
Moradores ouvidos pela reportagem destacam a expectativa com a conclusão do projeto. “Já sofri com enchentes causadas por esgoto transbordando no quintal de casa. Acho que essa obra vai resolver muitos problemas”, afirmou a comerciante Maria das Graças, de 47 anos. O governador do DF, Ibaneis Rocha, destacou, em evento de lançamento no ano passado, que o saneamento adequado é “uma das prioridades do governo para garantir dignidade à população”.
Apesar do otimismo, especialistas alertam para desafios técnicos. Engenheiros ambientais apontam que a topografia da região, marcada por morros e áreas de preservação, exige soluções engenhosas. “É preciso equilibrar a expansão da infraestrutura com a proteção dos corredores ecológicos”, ressaltou o professor Carlos Alberto de Souza, da Universidade de Brasília (UnB). A Caesb, por sua vez, garante que 20% da área comprometida durante a obra será revitalizada.
O projeto faz parte do Programa Federal de Saneamento Básico, que prevê a universalização do acesso a serviços de esgoto em áreas metropolitanas até 2030. No DF, outros bairros como Taguatinga e Ceilândia também estão em análise para novas intervenções. A expectativa é que a Estrutural sirva como modelo para projetos futuros no entorno da capital federal.
Com a conclusão do projeto, a expectativa é que a região tenha 100% de cobertura do sistema de esgoto, reduzindo em 70% os casos de contaminação por bactérias em corpos hídricos. A Caesb informou que fará campanhas de conscientização junto às comunidades para garantir o uso adequado da nova infraestrutura.



