
Grupo Aroeira, empresa brasileira especializada em energias renováveis, anunciou na última semana a obtenção de um financiamento de R$ 618 milhões concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O recurso será utilizado para a construção de uma nova planta de produção de etanol em Minas Gerais, iniciativa que reforça o papel do Brasil no setor de combustíveis sustentáveis.
A unidade, localizada na região de Uberaba, terá capacidade para processar 6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar anualmente, gerando cerca de 1.200 empregos diretos e indiretos. Segundo informado pelo BNDES, o projeto prevê a adotar tecnologias de ponta para reduzir emissões de carbono, alinhando-se aos objetivos do Pacto Global da ONU para o Desenvolvimento Sustentável.
De acordo com o presidente do BNDES, o financiamento reflete a confiança no potencial do setor sucroalcooleiro brasileiro. “Esse investimento é estratégico para a diversificação da matriz energética nacional e para a geração de renda em regiões produtivas”, destacou em comunicado. A Aroeira, por sua vez, afirmou que a nova planta atende à demanda crescente por combustíveis limpos, tanto no mercado interno quanto no exterior.
Minas Gerais é o terceiro maior produtor de cana-de-açúcar do país e detém uma posição consolidada na produção de etanol. A expansão da indústria na região está alinhada ao Plano Safra 2023/2024, que prevê incentivos fiscais para o setor agrícola. A expectativa do governo estadual é que o projeto impulsiona a economia local e reduza a dependência de importações de combustíveis fósseis.
Críticos, no entanto, alertam para os riscos de dependência do agronegócio em áreas de preservação ambiental. O Instituto de Pesquisa Ambiental do Amazonas (IPAM) publicou recentemente relatório destacando a necessidade de monitoramento rígido para evitar impactos sobre o cerrado mineiro. A Aroeira informou que adotará práticas de gestão ambiental certificadas pela Norma ISO 14001.
Com a conclusão da planta prevista para 2026, o Grupo Aroeira espera elevar sua participação no mercado de etanol de 15% para 25% nos próximos cinco anos. O projeto também inclui parcerias com universidades mineiras para pesquisa em biotecnologia aplicada à cana-de-açúcar, visando aumentar a eficiência da produção.
O setor de etanol no Brasil tem experimentado crescimento acelerado nos últimos anos, impulsionado pela política de incentivos fiscais e pela demanda internacional por combustíveis verdes. Em 2023, o país exportou 6,8 bilhões de litros de etanol, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Enquanto o setor celebra os avanços, especialistas observam a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. “Investimentos como esse são positivos, mas devem ser acompanhados de políticas públicas que garantam a sustentabilidade a longo prazo”, afirmou Maria Helena Duarte, pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados da USP.
