
Em 2011, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, foi eleita presidente do Peru apesar de uma apuração conturbada e debates sobre o legado de seu pai, condenado por crimes de corrupção e violações aos direitos humanos. A vitória de Fujimori, da Frente Popular, gerou celebrações em setores da população que acreditam em sua promessa de “mudança” e críticas de opositores que questionam sua ligação com o regime autoritário de seu pai.
Fujimori, de 43 anos, liderou a corrida presidencial com 50,5% dos votos, superando o candidato do Apra, Ollanta Humala, que obteve 49,5%. A apuração, que durou dois dias, foi marcada por atrasos e acusações de fraudes, mas foi validada pela Comissão Eleitoral. A eleição foi a mais polarizada da história peruana, refletindo divisões entre eleitores que buscam estabilidade econômica e outros que desejam reformas sociais.
Keiko Fujimori apresentou-se como uma candidata mais moderada que seu pai, prometendo focar em combater a pobreza e modernizar a economia. No entanto, sua campanha foi constantemente abordada por críticos que lembravam o governo autoritário de Alberto Fujimori (1990-2000), que encarcerou opositores políticos e implementou políticas neoliberais controversas. Apesar disso, Fujimori afirmou em entrevistas que não seguiria o modelo de seu pai.
A eleição ocorreu em um contexto de instabilidade política no Peru, com altas taxas de desemprego e críticas ao sistema educacional e de saúde. Fujimori, que lidera uma aliança com o partido de centro-direita Acción Popular, prometeu aumentar investimentos em infraestrutura e combater a corrupção, apesar de sua própria família ter sido investigada em escândalos de suborno.
Os manifestantes nas ruas de Lima e Cusco celebraram a vitória de Fujimori, enquanto grupos de direitos humanos expressaram preocupações sobre o retorno de políticas autoritárias. O novo governo começa com grandes desafios, incluindo a gestão de conflitos regionais e a modernização de um país que, apesar de seu crescimento econômico, enfrenta desigualdades profundas.
Keiko Fujimori assume o cargo no dia 28 de julho de 2011, prometendo unir o Peru em um discurso de reconciliação. Seu mandato será testado pela capacidade de equilibrar as expectativas de reformas com a necessidade de estabilidade, enquanto enfrenta o legado complexo de seu pai e as demandas de uma sociedade dividida.
