
O Sistema Nacional de Alerta Civil (Sinal Verde), responsável por transmitir notificações de desastres naturais e emergências ao público brasileiro, foi temporariamente desativado no último dia 15 de outubro após sofrer um ataque cibernético. A informação foi confirmada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que não divulgou detalhes técnicos sobre o incidente, mas assegurou que medidas de contenção estão em andamento.
De acordo com comunicado oficial, o sistema foi desligado preventivamente para evitar a disseminação de informações falsas ou a falha na comunicação durante uma situação de crise. O MCTI informou que a reativação dependerá de uma análise de segurança concluída por especialistas em cibersegurança. Ainda não há previsão de retorno total das funcionalidades do sistema.
O ataque afetou os canais de transmissão do Sinal Verde, incluindo notificações via SMS, aplicativo móvel e sinalização pública. Autoridades destacam que o sistema não foi comprometido fisicamente, mas que a interrupção foi necessária para isolar vulnerabilidades identificadas após a invasão. A Coordenação-Geral da Defesa Civil destacou que não há registros de vazamento de dados sensíveis até o momento.
Especialistas em segurança digital explicam que sistemas de alerta nacional são alvos frequentes de ataques por sua relevância estratégica. “A desativação rápida demonstra protocolos de resposta robustos, mas também revela a fragilidade de infraestruturas críticas frente a ameaças virtuais”, afirmou João Silva, coordenador do Laboratório de Ciberdefesa da Universidade de São Paulo. Ele ressalta que o incidente reforça a necessidade de investimentos em atualização tecnológica e treinamento de equipes.
O Brasil mantém o Sinal Verde desde 2016 como parte de um pacto internacional para reduzir os impactos de desastres. O sistema, integrado a mais de 50 órgãos, atua em situações como enchentes, secas, incêndios florestais e eventos geofísicos. Segundo dados do MCTI, o sistema já emitiu mais de 2 milhões de alertas em cinco anos, salvando milhares de vidas.
Enquanto o MCTI investiga o ataque, o governo reforçou o apoio às autoridades locais para comunicação de emergências por meio de canais alternativos, como rádios comunitárias e redes sociais oficiais. A Defesa Civil também orientou a população a manter os aplicativos de alerta atualizados e a compartilhar informações apenas por meio de fontes oficiais.
O caso ocorre em um momento em que o país registra um aumento de 37% nos ataques cibernéticos em 2023, segundo relatório da Anatel. A desativação do Sinal Verde levanta debates sobre a segurança de infraestruturas críticas e a necessidade de uma política nacional de ciberdefesa mais abrangente para proteger sistemas essenciais ao cidadão.
Após a interrupção, o MCTI anunciou a criação de uma comissão para avaliar a vulnerabilidade de outros sistemas públicos e propor medidas de proteção. “A prioridade é garantir a segurança da população e a integridade das comunicações em situações de risco”, destacou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Carlos Alberto Reis, em coletiva de imprensa.



