
Caracas — O número de mortos em consequência do terremoto de magnitude 7,3 que atingiu a Venezuela na madrugada de quinta-feira (12/09) subiu para 1.430, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Defesa Nacional na noite de sexta-feira (13/09). A atualização inclui 230 novas vítimas confirmadas em zonas rurais do estado de Barinas, onde equipes de resgate enfrentam dificuldades para acessar áreas isoladas devido a deslizamentos de terra.
O sismo, registrado às 02h42 (horário local), teve epicentro a 120 km da capital, Caracas, e foi seguido por 48 réplicas, a mais intensa registrada na sexta-feira com 5,8 graus. A Agência Sismológica da Venezuela informou que a profundidade do tremor foi de 10 km, o que intensificou os danos em áreas urbanas e periféricas.
Segundo o relatório, 2.845 pessoas estão hospitalizadas, com 580 em estado grave. O governo estimou que mais de 180.000 cidadãos foram deslocados, enquanto 12% dos prédios na capital sofreram colapso parcial ou total. A infraestrutura energética e de telecomunicações segue parcialmente comprometida em 14 municípios.
O presidente Nicolás Maduro anunciou na sexta-feira a ampliação do estado de emergência para 60 dias e solicitou ajuda humanitária à Organização das Nações Unidas (ONU). “Estamos mobilizando forças militares e civis para garantir abastecimento de água, alimentos e assistência médica”, afirmou em coletiva de imprensa. A Venezuela recebeu apoio de Cuba, Colômbia e Brasil, que enviaram equipes médicas e materiais de resgate.
ONGs locais e internacionais, como o Croissant Vermelho Venezuelano e a Cruz Vermelha Internacional, estão no local coordenando operações de triagem e distribuição de mantas, entre outros itens de urgência. No entanto, críticos destacaram atrasos na resposta governamental, especialmente em regiões de difícil acesso.
A ONU alertou que a crise humanitária pode se agravar nos próximos dias, com previsão de chuvas intensas que aumentam o risco de epidemias. O Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) já iniciou a avaliação de áreas para construção de moradias temporárias.
Com 92% da frota aérea de resgate mobilizada, as equipes estão usando drones e caçambas para remover escombros. Apesar dos esforços, o Ministério da Defesa reconheceu que os recursos limitados da nação, afetada por sanções internacionais e uma economia em colapso, estão dificultando a resposta à escala do desastre.
Populações locais organizaram-se em grupos voluntários para auxiliar nos resgates. “Toda a comunidade está unida. Não há tempo para política, apenas para salvar vidas”, declarou Maria Fernández, moradora de Barinas que participa de uma equipe de triagem.
Enquanto as operações de resgate continuam, a preocupação se volta para a estabilização das estruturas ainda em risco e a contenção de possíveis surtos de desnutrição e doenças infecciosas em acampamentos temporários.



