
O Festival Literário nas Periferias, realizado anualmente em comunidades do Rio de Janeiro, tem se consolidado como um dos principais espaços de fortalecimento da produção cultural das zonas mais carentes da cidade. Com foco em promover a leitura, a escrita criativa e a valorização de artistas locais, o evento reúne autores independentes, escritores consagrados, editores e amantes da literatura em uma programação que inclui oficinas, mesas-redondas e lançamentos de livros.
Desde sua primeira edição, há cinco anos, o festival tem sido uma iniciativa da ONG Cidadania pela Leitura, em parceria com escolas e associações comunitárias. O objetivo é transformar as periferias em centros de difusão cultural, combatendo a desigualdade no acesso à educação e à cultura. “Queremos mostrar que a periferia não é apenas um lugar de resistência, mas também de criação”, afirma Ana Paula Ferreira, coordenadora do projeto.
Este ano, o festival ocupou 12 comunidades diferentes, incluindo o Complexo de Chácara do Céu e a Rocinha, com mais de 500 participantes entre autores, editores e leitores. Um dos destaques foi a seção de lançamento de livros produzidos por jovens do programa Jovem Escritor, que oferece formação gratuita em escrita criativa. Entre as obras apresentadas, destacam-se poemas sobre a realidade do cotidiano periférico e crônicas que exploram a identidade cultural dos moradores.
Além da literatura, o evento incluiu atividades de música, teatro e artes plásticas, demonstrando a interseção entre diferentes linguagens artísticas. Uma das atrações foi a exposição “Palavras na Rua”, que reúne grafites e intervenções urbanas que dialogam com textos literários. “A ideia é quebrar a barreira entre arte e academia, trazendo a cultura para a rua”, explica o artista plástico e participante do festival, Lucas Mendes.
A repercussão do festival tem atraído o interesse de instituições públicas e privadas. Em 2023, o evento recebeu apoio do governo estadual por meio da Secretaria de Cultura, que financiou a construção de uma biblioteca itinerante. A estrutura, equipada com mais de 1.500 livros, será distribuída para escolas e comunidades após o encerramento do festival.
Críticos literários destacam o crescimento da produção periférica no cenário nacional. Segundo o pesquisador e escritor João Batista Silva, “os autores das periferias estão ocupando espaços antes dominados por uma elite cultural. Suas histórias, muitas vezes ignoradas, agora ganham visibilidade e respeito”.
Apesar do sucesso, desafios persistem. A falta de recursos e a insegurança em algumas comunidades ainda afetam a logística do evento. Para 2024, os organizadores planejam expandir o festival para outras cidades do estado, buscando fortalecer a rede de artistas e escritores locais.
O Festival Literário nas Periferias não apenas celebra a diversidade cultural do Rio, mas também promove um diálogo necessário entre as comunidades e o cenário cultural institucional. Com suas ações, o projeto reafirma que a arte nasce em todos os cantos da cidade, independentemente da condição socioeconômica.



