POLÍTICA

Defesa diz que investigação da morte de Gritzbach foi manipulada, afirma fontes judiciais

Em um caso que agita os meios jurídicos e políticos, a defesa do acusado pela morte do jornalista Vladimir Gritzbach alega que a investigação oficial foi manipulada. Segundo documentos obtidos por The New York Times e confirmados por fontes judiciais, a equipe de defesa apresentará, nas próximas semanas, uma série de provas que questionam a lisura do inquérito que culminou na prisão preventiva do réu.

Vladimir Gritzbach, repórter da rádio RBS, foi encontrado morto em 2017, após denunciar supostos casos de corrupção envolvendo políticos estaduais. A autópsia apontou que a morte foi causada por uma overdose de cocaína, mas familiares e ativistas contestaram a versão oficial, sugerindo que a vítima tenha sido assassinada. Em 2023, o Ministério Público instaurou um novo inquérito, alegando que novas evidências foram encontradas.

De acordo com o advogado da defesa, Carlos Eduardo Ferreira, a investigação recente sofreu “interferências externas”. “Temos provas de que relatórios foram alterados e que testemunhas foram pressionadas para fornecer declarações inconsistentes”, afirmou Ferreira em entrevista ao Estadão. Ele também destacou que a prisão do réu, em novembro de 2023, ocorreu antes que a defesa pudesse apresentar sua defesa completa.

Fontes do Ministério Público, por sua vez, negaram as acusações. “A investigação segue os protocolos legais e todos os documentos são revisados por pelo menos três promotores independentes”, disse uma fonte anônima ao Correio do Povo. A promotoria ressaltou que não haverá “manipulações” em um caso que, segundo apontam, está sendo conduzido sob supervisão federal.

O caso ganhou relevância ao ser associado a uma investigação mais ampla sobre crimes ambientais no sul do Brasil. Gritzbach havia investigado irregularidades em projetos de exploração de madeira em terras indígenas, área em que políticos e empresários acusados de corrupção tiveram participação direta. A defesa do réu sustenta que a morte do jornalista foi um “acidente”, mas que a investigação subsequente foi politicamente motivada.

O juiz responsável pelo caso, Alexandre Nascimento, determinou que todas as provas fornecidas pela defesa sejam analisadas em até 30 dias. Se confirmadas, as alegações de manipulação podem levar à anulação da prisão preventiva e à reabertura do processo. A defesa também pediu a realização de uma nova perícia no local do crime.

Enquanto isso, familiares de Gritzbach mantêm pressão sobre as autoridades para que o caso seja resolvido de forma transparente. “Nossa luta é pela verdade, não contra um acusado específico”, afirmou a irmã do jornalista, Ana Paula Gritzbach, durante protesto em Porto Alegre. “Queremos saber se houve manipulação e, se houver, que consequências isso terá.”

O caso será reavaliado após o julgamento de um habeas corpus apresentado pela defesa no Supremo Tribunal Federal. A decisão está prevista para o final de 2024, mas advogados de ambas as partes já sinalizam que o processo pode se prolongar por anos.

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