COTIDIANO

Alertas falsos saíram das contas de agentes da Defesa Civil do Pará

Investigações reveladas nesta quinta-feira (12) apontam que agentes da Defesa Civil do Pará estariam envolvidos na produção e divulgação de alertas falsos em redes sociais, agravando o cenário de confusão em comunidades do interior do estado. O caso foi denunciado por moradores de Santarém, onde mensagens apontando chuvas torrenciais e deslizamentos foram compartilhadas por perfis oficiais, mas não correspondiam à realidade.

Segundo o jornal Folha do Pará, as contas institucionais da Defesa Civil foram utilizadas para enviar notificações de emergência sem autorização prévia de técnicos especialistas. Um comunicado divulgado pela corporação afirma que “não há registro de eventos climáticos que justifiquem as mensagens denunciadas” entre os dias 1º e 10 de março.

As investigações iniciais, conduzidas pela Promotoria de Justiça de Santarém, identificaram que pelo menos três agentes teriam acesso não autorizado a contas institucionais. Um dos perfis investigados foi apagado após a denúncia, segundo informações obtidas por este jornal. “A utilização de recursos públicos para fins particulares é um crime tipificado no Código Penal”, afirmou a promotora Ana Carla Lima, responsável pela apuração.

A Fundação de Defesa Civil do Pará (Fundepa) emitiu nota oficial reafirmando que “qualquer comunicação oficial passa por uma rigorosa análise técnica e revisão por coordenadores de área”. A entidade informou que já instaurou sindicância interna e prometeu “medidas disciplinares imediatas contra os responsáveis”.

Este não é o primeiro caso de uso indevido de perfis institucionais no estado. Em 2022, agentes da mesma instituição foram multados após divulgar informações enganosas sobre desabamentos em Belém. A prática gera desgaste de credibilidade tanto entre a população quanto entre os próprios servidores, conforme destacou o engenheiro civil João Marcelo Ferreira, consultor de gestão pública.

Enquanto as investigações avançam, a Defesa Civil orienta a população a verificar informações de emergência apenas por meio do site institucional (defesacivil.pa.gov.br) ou aplicativos oficiais. “A desinformação pode colocar em risco vidas e recursos públicos destinados a situações reais de emergência”, destacou o coordenador de Comunicação da Fundepa, Marcus Vinícius Dias.

Até o fechamento desta matéria, nenhum agente havia sido oficialmente afastado do cargo. A Promotoria aguarda o resultado da auditoria interna para decidir sobre a continuidade da ação penal.

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