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Exposição no Palácio das Artes resgata legado de Dona Sarah Kubitschek e 20 mulheres do Servas

Brasília — O Palácio das Artes acolhe, até 31 de outubro, a exposição “O Legado das Mulheres do Servas”, uma homenagem institucional às contribuições de 20 mulheres que integraram o grupo Servas da Pátria e à figura de Dona Sarah Kubitschek, considerada uma das precursoras do movimento. A mostra, organizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), reúne documentos, fotografias e obras artísticas que ilustram a trajetória dessas mulheres, cujo trabalho social durante o período de construção de Brasília (1956-1960) foi fundamental para o desenvolvimento da capital federal.

O Servas da Pátria era um movimento social criado em 1945 por mulheres que apoiavam os esforços de reconstrução nacional pós-Guerra. Durante a construção de Brasília, sob a presidência de Juscelino Kubitschek (1956-1961), o grupo atuou como parceiro do Governo Federal, mobilizando voluntárias para tarefas de apoio à construção e à integração social da nova cidade. Dona Sarah Kubitschek, esposa do ex-presidente, foi uma das principais articuladoras do envolvimento das Servas no projeto, incentivando a participação feminina em ações culturais e educacionais.

A exposição destaca a história de 20 mulheres cujos nomes, muitas vezes subordinados aos dos homens em suas épocas, ganham visibilidade nesse espaço. Entre elas, está a arquiteta Vilma Reis, uma das primeiras mulheres a integrar os quadros do Servas e que participou do design de espaços públicos em Brasília. “Essas mulheres foram engrenagens essenciais na máquina do desenvolvimento nacional, mas seu papel foi frequentemente esquecido. A exposição busca corrigir essa lacuna”, afirma Maria Eduarda Ferreira, curadora da mostra.

Os visitantes podem explorar uma linha do tempo interativa que contextualiza o período da construção de Brasília e a atuação das Servas. Documentos oficiais do Governo Federal, cartas pessoais e registros fotográficos estão expostos em salas temáticas. Uma das peças centrais é uma cópia da carta escrita por Dona Sarah Kubitschek em 1958, na qual ela descreve a importância do Servas no fortalecimento dos laços comunitários no novo Distrito Federal.

Segundo o Iphan, a iniciativa faz parte do programa “Heranças Femininas”, que busca resgatar histórias de mulheres cujas contribuições ao Brasil não foram tradicionalmente reconhecidas. A exposição é aberta ao público e oferece visitas guiadas gratuitas nos finais de semana. Para o historiador Luís Carlos Mendes, o evento “é um passo importante para reconhecer a diversidade de atores que moldaram a identidade brasileira”.

O Palácio das Artes, localizado no Setor Cultural Sul de Brasília, está aberto de terça a domingo, das 9h às 18h. Mais informações podem ser obtidas pelo site do Iphan. A exposição também terá uma versão virtual, lançada em novembro, com acesso gratuito.

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