POLÍTICA

Colômbia Prepara-se para Eleições Presidenciais que Definirão o Futuro do País até 2030

A Colômbia realizará neste domingo (6 de junho de 2026) o segundo turno das eleições presidenciais que definirá o novo líder do país para o biênio 2026-2030. O pleito, marcado por uma polarização entre propostas conservadoras e progressistas, é considerado um dos mais complexos da história recente do país, com cinco candidatos que superaram a barreira dos 10% de intenções de voto.

Os dois finalistas, segundo dados da última pesquisa divulgada pela Fundação FESCOL, são o atual governador de Antioquia, Federico Gutiérrez, do partido conservador, e a ex-ministra da Defesa, María Paula Sanz, representante da aliança de esquerda. Gutiérrez defende uma política de segurança baseada em investimentos em inteligência artificial para combater o crime organizado, enquanto Sanz prioriza a ampliação do programa de desarmamento e reestruturação dos grupos insurgentes.

O cenário eleitoral foi influenciado pela crise econômica gerada pela volatilidade cambial e pela desaceleração do setor agrícola, que responde por 20% da economia nacional. A inflação, que atingiu 18% em abril, também pesou nas decisões dos eleitores, segundo análise da Universidade de Los Andes. A votação ocorre em 32.000 locais de 1.117 municípios, com transmissão em tempo real pela televisão e redes sociais.

No primeiro turno, realizado em 20 de maio, o candidato mais votado, com 31% das intenções, foi Gutiérrez, seguido por Sanz com 28%. A terceira colocada, Lucía Ortega (sem partido), obteve 15% e decidiu apoiar Sanz no segundo turno. A abstenção, porém, foi recordista: 42% dos 46 milhões de eleitores cadastrados não compareceram à urna.

Historicamente, as eleições colombianas registram altos índices de violência. Em 2023, 12 pré-candidatos foram assassinados, segundo dados do Observatório de Direitos Humanos. Para garantir a segurança, o governo federal mobilizou 80.000 agentes de segurança, incluindo a Força de Ações Rápidas (FAR) e o exército.

O novo presidente assumirá o cargo em 7 de agosto, com poderes para reformular o pacto fiscal que reequilibra transferências para os municípios. A votação coincide com o vigésimo aniversário do Acordo de Paz com as FARC, um marco na história recente do país que continua enfrentando desafios nas fronteiras com o Peru e o equador, onde grupos ilegais atuam na extração ilegal de ouro.

A eleição será decisiva para a relação da Colômbia com os mercados internacionais, especialmente após a suspensão do acordo de livre comércio com a União Europeia em 2024. A votação será acompanhada de perto por países como Estados Unidos e Brasil, que buscam reforçar a cooperação na luta contra o narcotráfico.

O Tribunal Electoral, órgão responsável pelo pleito, divulgou que 98% dos votos serão contabilizados em até 72 horas. A cerimônia de diplomação do vencedor está programada para 1º de julho, com transmissão ao vivo da rádio e TV RCN.

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