
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou uma carta dirigida a candidatos e candidatas, com uma relação de temas considerados prioritários para o debate sobre as políticas de saúde no país. O documento reúne propostas e diretrizes voltadas ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), à redução das desigualdades e à valorização da ciência e da produção nacional.
A iniciativa busca contribuir para a formulação de compromissos públicos na área da saúde e ampliar a presença do tema no processo eleitoral. Segundo a instituição, os desafios enfrentados pelo Brasil exigem políticas permanentes, financiamento adequado e integração entre diferentes áreas do governo.
Entre os pontos destacados está a necessidade de fortalecer o SUS como política pública universal. A carta ressalta a importância de ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, melhorar a atenção básica e garantir a articulação entre os diferentes níveis de atendimento, da prevenção ao tratamento especializado.
O documento também aborda a necessidade de enfrentar as desigualdades sociais e regionais que afetam as condições de saúde. Diferenças de renda, raça, gênero, território e acesso a serviços públicos influenciam os indicadores de adoecimento e mortalidade. Para a Fiocruz, essas disparidades devem ser consideradas na definição de programas e investimentos.
A vacinação aparece entre os temas prioritários. A instituição defende a recuperação das coberturas vacinais e o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações, após quedas registradas em diferentes faixas etárias e regiões do país. A ampliação da cobertura é apontada como medida essencial para evitar o retorno ou a disseminação de doenças controladas por vacinas.
A carta inclui ainda a valorização da ciência, da tecnologia e da inovação em saúde. A Fiocruz destaca a importância de manter investimentos em pesquisa, ampliar a capacidade de produção de medicamentos, vacinas e insumos estratégicos e reduzir a dependência externa do país em áreas consideradas essenciais.
Outro eixo do documento está relacionado à preparação para emergências sanitárias. A experiência da pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de estruturas permanentes de vigilância, planejamento e resposta rápida a novas epidemias. O fortalecimento das instituições públicas de pesquisa e saúde é apresentado como parte dessa estratégia.
A saúde mental, o envelhecimento da população e os impactos das mudanças climáticas também integram o conjunto de questões consideradas relevantes. Eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e períodos de seca, podem ampliar riscos sanitários e atingir de forma mais intensa comunidades vulneráveis.
Ao apresentar a carta, a Fiocruz reforçou o papel das políticas baseadas em evidências científicas e da cooperação entre União, estados e municípios. A instituição também defendeu a participação social na construção das ações de saúde e a continuidade de programas capazes de produzir resultados no longo prazo.
O documento foi elaborado como contribuição ao debate público e não representa apoio institucional a candidaturas específicas. A proposta é oferecer referências para que candidatos apresentem compromissos claros com o SUS, a ciência, a prevenção de doenças e a melhoria das condições de vida da população.



