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Brasil e Venezuela reforçam cooperação humanitária nesta quinta-feira (01/06), quando o governo brasileiro enviou o terceiro avião com cestas básicas, medicamentos e kits hospitalares para apoiar a população venezuelana afetada pela crise socioeconômica. A ação faz parte de um esforço conjunto iniciado no início de 2024, após encontros bilaterais entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolás Maduro.
O novo lote de assistência, com cerca de 150 toneladas de material, foi entregue em um hangar da Base Aérea de Santa Maria (RS) antes do embarque. Segundo o Ministério das Relações Exteriores brasileiro, a iniciativa busca “fortalecer a solidariedade regional e contribuir para a estabilização das comunidades mais vulneráveis”. O avião, modelo KC-390 Millennium, deverá alcançar o Estado de Bolívar na Venezuela em menos de oito horas.
Esse é o terceiro envio aéreo desde dezembro de 2023, quando os países firmaram um protocolo de cooperação que prevê a distribuição de 1,2 milhão de reais em assistência mensal. A primeira carga, com 200 toneladas, beneficiou 50 mil famílias em sete estados do país vizinho. Em abril, outro avião transportou 300 toneladas de produtos hospitalares para hospitais em Puerto Ordaz e Caracas.
Segundo o governo Maduro, a ajuda brasileira atende a um déficit crônico na Venezuela, onde a inflação ultrapassou 1.200% em 2023 e mais de 80% da população vive abaixo da linha de pobreza, segundo dados da ONU. “Esta colaboração é essencial para garantir alimentação e saúde a quem mais precisa”, afirmou o ministro venezuelano do Poder Popular para Alimentação, José Manuel Olivares.
O Brasil ressaltou que a operação conta com o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA) e segue orientações do Acordo de Paris, visando promover a paz e a integração regional. O Ministério da Defesa brasileiro informou que equipes técnicas acompanharão a distribuição do material para garantir que seja direcionado a comunidades carentes.
Analistas destacam que a iniciativa reforça a política externa do Brasil voltada para a cooperação sul-sul. “Essa ajuda vai além do humanitário; é um sinal de que o Brasil está retomando seu papel de liderança na América Latina”, afirmou a pesquisadora da Fundação Getulio Vargas, Ana Clara Ferreira.
A Venezuela, por sua vez, enfrenta uma crise prolongada desde 2015, marcada por desabastecimento, desemprego e sanções internacionais. Apesar das entregas brasileiras, autoridades locais reconhecem que mais apoio internacional é necessário para combater a emergência humanitária.
Com a nova ação, o Brasil reafirma seu compromisso com a integração regional e a solidariedade. A previsão é que mais dois voos sejam programados nos próximos meses, conforme demanda verificada pelas equipes de avaliação no terreno. O governo federal brasileiro confirmou que está em negociações com o setor privado para ampliar a doação de leite, higiene infantil e assistência técnica.
O envio de ajuda humanitária ocorre em um momento de melhora nas relações entre os dois países, após anos de distensão política. O diálogo bilateral, relançado em 2023, também inclui acordos de integração energética e segurança alimentar.
O próximo passo, segundo fontes do Itamaraty, será a criação de um centro de coordenação conjunta em Cúcuta, na fronteira entre Brasil e Venezuela, para monitorar o impacto das ações e planejar futuras iniciativas de desenvolvimento regional.
— *Artigo atualizado em 01/06/2024, com base em informações oficiais dos governos e relatórios da ONU.*



