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Caracas – O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, em discurso transmitido na noite de sexta-feira (10), que é necessário “unir forças” para superar os desafios enfrentados pelo país após um tremor de terra registrado na manhã do mesmo dia. O sismo, com magnitude de 6,2 graus na escala Richter, segundo dados preliminares do Centro Sismológico Nacional da Venezuela, foi sentido em várias cidades do estado de Miranda e não provocou ferimentos graves.
Maduro utilizou o incidente como pano de fundo para reforçar a necessidade de diálogo e cooperação entre os setores políticos e sociais da nação. “A Venezuela não pode se dividir em tempos de crise. Precisamos de consenso para reconstruir e proteger o futuro de nosso povo”, declarou o chefe de Estado, durante evento em Caracas. O discurso ocorreu em um contexto de polarização política, com críticas frequentes ao governo por parte da oposição venezuelana.
O tremor de terra, apesar de não ter causado danos estruturais significativos, gerou pânico em áreas urbanas. Autoridades locais confirmaram inspeções em prédios e infraestrutura crítica. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o epicentro do sismo ficou localizado a 180 km de profundidade, a 80 km da costa do estado de Falcón.
Em sua fala, Maduro destacou o papel do governo na coordenação de ações de resposta às catástrofes naturais, lembrando o apoio internacional recebido em situações anteriores. “Contamos com a solidariedade de nossos parceiros para garantir a segurança e o bem-estar de todos”, afirmou, sem mencionar nomes específicos de países ou organizações.
O líder venezuelano também aproveitou a ocasião para reafirmar sua posição sobre o diálogo com a oposição, tema que tem dividido a comunidade internacional. “Abro as portas do governo para conversas construtivas, mas exigimos respeito às leis e à soberania nacional”, disse. A declaração surge após semanas de intensificação de críticas por parte de governos estrangeiros, que pressionam por eleições livres no país.
Enquanto o clima político se mantém tenso, a comunidade científica venezuelana alerta para a necessidade de investimentos em infraestrutura sismorresistente. “A América do Sul tem histórico de sismos, e a Venezuela não é imune”, afirmou o geólogo Luis Fernández, da Universidade Central de Venezuela, em entrevista à imprensa.
A população, por sua vez, divide opiniões sobre a gestão do governo na resposta a desastres naturais. Enquetes recentes mostram que 58% dos venezuelanos acreditam que o Estado precisa melhorar seus protocolos de emergência, segundo a consultoria Datanálisis.
Maduro encerrou seu discurso com um apelo à “paciência e confiança no caminho do progresso”. O governo anunciou, ainda, a realização de uma reunião com representantes de ONGs locais para discutir planos de mitigação de riscos naturais no próximo mês.
O tremor de terra de sexta-feira serve como lembrança de que as forças da natureza transcendem fronteiras políticas, exigindo, segundo especialistas, esforços coletivos para garantir a segurança da população.
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