
Na terça-feira (15), o prefeito de Belo Horizonte, Damião, criticou publicamente a falta de investimentos estatais na capital mineira durante uma reunião com vereadores. O gestor municipal afirmou que a ausência de recursos compromete projetos essenciais, como a ampliação da rede de transporte público e a manutenção de equipamentos hospitalares. “O estado está se omitindo em um momento crítico para o desenvolvimento da cidade”, disse Damião.
O governador Romeu Simões rebateu as críticas na quarta-feira (16), chamando-as de “ingratidão” por parte da prefeitura. Em uma coletiva na Assembleia Legislativa, Simões destacou que o governo estadual já destinou R$ 480 milhões em 2024 para iniciativas em BH, incluindo obras de infraestrutura e programas sociais. “Não podemos permitir que responsabilidades sejam transferidas para um governo que já está fazendo sua parte”, afirmou o governador.
A polêmica surge em um contexto de eleições municipais, com Damião buscando reeleição e Simões focado na campanha para a reeleição estadual. A relação tensa entre os dois governantes reflete desafios de articulação política no estado, onde demandas locais e regionais se sobrepõem. Analistas observam que a postura de Damião pode ser estratégica, buscando consolidar apoio entre a base eleitoral que reclama de ações governamentais.
Representantes do governo estadual destacaram que a maior parte dos recursos foi destinada a projetos de longo prazo, como a revitalização da Avenida Amazonas. Já a prefeitura argumenta que necessita de investimentos imediatos para enfrentar demandas urgentes, como a ampliação da coleta de lixo e a manutenção de unidades de saúde. “Não se trata de falta de recursos, mas de prioridades divergentes”, explicou uma fonte da administração municipal.
A reação de Simões foi recebida com críticas por parte da oposição, que questiona o uso de discursos polarizadores em um momento de crise econômica. O Partido dos Trabalhadores (PT) em BH classificou as declarações do governador como “desconectadas da realidade dos moradores”. “É preciso diálogo, não acusações”, afirmou o vereador Pedro Gomes, líder da bancada do PT na Câmara Municipal.
Enquanto isso, a população de BH acompanha a disputa com expectativa. Em uma pesquisa recente, 62% dos entrevistados consideram que o estado deve assumir mais responsabilidade por políticas públicas na capital. “Queremos soluções, não brigas entre governantes”, disse Maria Helena, moradora do bairro Santa Tereza. A tensão entre Damião e Simões, portanto, ganha um novo capítulo em uma cena política marcada por demandas crescentes e limitações orçamentárias.
