
Seu Simão dos Santos, de 91 anos, é um dos torcedores mais antigos da seleção brasileira. Por 20 edições da Copa do Mundo, ele acompanha cada partida, cada vitória e cada derrota da equipe com o mesmo entusiasmo de quando assistiu ao triunfo de 1970, conquistado pelo “Time da Perdição” em México. Agora, com o Brasil em busca do hexa, o aposentado de Sorocaba, no interior de São Paulo, não esconde a crença em um novo título.
Desde a infância, na década de 1940, Simão se identifica com o futebol. “O primeiro jogo que vi foi o do Pelé aos 17 anos, em 1958. Fazia parte daquela geração que acreditava que o Brasil era invencível”, conta, lembrando da conquista do tetracampeonato em 1994. Apesar das quase quatro décadas sem um título mundial, o torcedor mantém a fé: “O futebol evoluiu, mas a paixão do brasileiro pelo jogo nunca mudou”.
Com uma rotina marcada por campeonatos e estatísticas, Simão acompanha a seleção desde o início da era digital. Hoje, ele utiliza um smartphone para acompanhar transmissões e estatísticas em tempo real. “O Pelé era feito de talento natural, agora os jogadores são profissionais de elite”, analisa, destacando o desempenho de nomes como Neymar e Vinícius Júnior.
Apesar da idade avançada, o torcedor não perde a oportunidade de participar de debates sobre a seleção. Em grupos de WhatsApp e rodas de amigos, ele defende a estratégia do técnico e critica escolhas polêmicas. “O futebol é como um jogo de xadrez. Cada substituição pode mudar o resultado”, afirma, lembrando a importância de treinadores como Tite.
Seu Simão também é um dos poucos torcedores que mantém a tradição de usar a camisa do Brasil em dias de jogos importantes. Em seu quarto, um mural reúne fotos de todas as Copas desde 1970. “Cada imagem é uma memória. A derrota para a Alemanha em 2014? Foi um dia difícil, mas o Brasil sempre se levanta”, relembra com a voz firme.
Enquanto o futebol mundial discute nomes como Mbappé e Messi, Simão mantém a crença no potencial da seleção brasileira. “Temos o melhor ataque do mundo e uma defesa sólida. O hexa está mais perto do que nunca”, projeta o torcedor, que sonha em ver a conquista ainda em vida. Para ele, o hexa não é apenas um título: “É a realização de um sonho de geração”.
Com uma vida dedicada a seguir os caminhos da seleção, Seu Simão encarna a história de milhões de brasileiros que encontram no futebol uma fonte de identidade e esperança. Enquanto o mundo do esporte muda, a paixão do torcedor de 91 anos permanece inalterada: um testemunho de que o futebol une gerações.



