SAÚDE

Setembro Amarelo: como a alimentação pode contribuir para a saúde mental

Durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida, diferentes fatores relacionados à saúde mental ganham espaço no debate público. Entre eles está a alimentação. Pesquisas na área da chamada psiquiatria nutricional indicam que os hábitos alimentares podem influenciar o funcionamento do cérebro, o humor e a resposta do organismo ao estresse.

A relação, no entanto, não é simples nem determina, isoladamente, o desenvolvimento ou a cura de transtornos mentais. Depressão, ansiedade e outros problemas de saúde são influenciados por fatores genéticos, sociais, psicológicos e ambientais. A alimentação pode atuar como parte da prevenção e do cuidado, mas não substitui avaliação médica, acompanhamento psicológico ou tratamento prescrito por profissionais.

O cérebro depende de energia e de diferentes nutrientes para desempenhar suas funções. Proteínas, fibras, vitaminas, minerais e gorduras insaturadas participam de processos ligados à produção de neurotransmissores, à regulação da inflamação e ao funcionamento do sistema nervoso. Por isso, padrões alimentares variados estão associados a melhores indicadores de saúde geral.

Estudos observacionais apontam que dietas baseadas em frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas, sementes, peixes e azeite, como o padrão mediterrâneo, podem estar relacionadas a menor ocorrência de sintomas depressivos. Essas pesquisas identificam associações, mas não comprovam, sozinhas, uma relação direta de causa e efeito. Ensaios clínicos ainda são necessários para determinar com maior precisão o impacto de intervenções alimentares sobre a saúde mental.

Também há evidências de que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados está associado a piores desfechos de saúde, inclusive em estudos sobre sintomas de ansiedade e depressão. Esses produtos geralmente apresentam alta quantidade de açúcar, sódio e gorduras, além de menor teor de fibras e micronutrientes. A recomendação do Guia Alimentar para a População Brasileira é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e evitar o consumo frequente de ultraprocessados.

Outro aspecto importante é a relação entre alimentação, sono e rotina. O consumo excessivo de cafeína, especialmente no período da tarde ou à noite, pode prejudicar o sono de algumas pessoas. Já a privação de sono está associada a alterações de humor, irritabilidade e maior dificuldade para lidar com situações estressantes. Manter horários regulares para as refeições também pode ajudar na organização cotidiana.

Especialistas recomendam que mudanças na alimentação sejam graduais e compatíveis com a realidade de cada pessoa. Restrições severas, dietas da moda e a ideia de que determinados alimentos substituem medicamentos podem trazer riscos. O acompanhamento com nutricionista é indicado quando há necessidades específicas, perda de peso involuntária, alterações no apetite ou histórico de transtornos alimentares.

No Setembro Amarelo, a alimentação deve ser entendida como um dos componentes do cuidado integral. Pessoas que apresentam sofrimento intenso, desesperança, isolamento, mudanças bruscas de comportamento ou falas relacionadas à morte precisam ser acolhidas e encaminhadas para ajuda profissional. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. Em situações de emergência, deve-se procurar um serviço de saúde ou acionar o Samu, pelo número 192.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo