
Organizações e lideranças de mulheres negras divulgaram um manifesto voltado aos candidatos que disputarão as eleições de 2026. O documento reúne reivindicações relacionadas ao combate ao racismo, à ampliação da participação política e à criação de políticas públicas destinadas a reduzir desigualdades históricas no país.
A iniciativa busca colocar as demandas da população negra no centro do debate eleitoral. O manifesto também cobra dos partidos e dos candidatos compromissos objetivos com a promoção da igualdade racial e de gênero, além do acompanhamento das propostas e medidas adotadas depois das eleições.
Entre os temas apresentados estão o enfrentamento à violência contra mulheres negras, a garantia de acesso à saúde, à educação e à moradia, a ampliação das oportunidades de trabalho e renda e o fortalecimento de políticas de proteção social. O texto também relaciona essas áreas às desigualdades que atingem de forma mais intensa a população negra.
As signatárias defendem ainda maior presença de mulheres negras nos espaços de decisão. A reivindicação envolve o Congresso Nacional, as assembleias legislativas, as câmaras municipais e os governos estaduais e federal. Para o movimento, a participação eleitoral não deve se limitar à condição de eleitoras, mas incluir a ocupação de cargos eletivos e de posições estratégicas na administração pública.
O documento também aborda a violência política de gênero e raça, que pode atingir candidatas, parlamentares e dirigentes partidárias. A cobrança inclui medidas para prevenir ameaças, ataques virtuais, perseguições e outras formas de intimidação que possam restringir a atuação de mulheres negras na vida pública.
Outro ponto destacado é a necessidade de financiamento adequado para as políticas de igualdade racial. As organizações defendem que compromissos apresentados durante a campanha sejam acompanhados por recursos orçamentários, metas e mecanismos de avaliação. A cobrança se estende à aplicação das regras de distribuição de recursos partidários e eleitorais destinadas a candidaturas negras e femininas.
O manifesto foi divulgado antes do período oficial de campanha, em uma fase na qual partidos e possíveis candidatos começam a organizar alianças e plataformas para 2026. A legislação eleitoral ainda definirá o calendário e os prazos do processo, mas as entidades afirmam que o diálogo sobre as prioridades da população negra deve começar com antecedência.
As autoras do documento pretendem utilizar o período eleitoral para pressionar partidos e candidatos a assumirem compromissos públicos. A expectativa é que as propostas sejam incorporadas aos programas de governo e debatidas em reuniões, encontros e atividades de mobilização ao longo da preparação para as eleições.
As eleições de 2026 deverão renovar os governos estaduais, parte do Senado, a Câmara dos Deputados e as assembleias legislativas. Nesse cenário, o manifesto procura influenciar a agenda política e ampliar a cobrança por medidas voltadas à população negra, que representa a maior parcela da sociedade brasileira, segundo dados demográficos oficiais.
Ao apresentar as reivindicações, as organizações afirmam que a democracia precisa incluir mecanismos capazes de enfrentar desigualdades raciais e garantir representação política proporcional à composição da população. O documento deverá servir como referência para a avaliação de candidaturas e para a mobilização de eleitoras e eleitores durante o processo eleitoral.
