
Um episódio de insegurança na ala psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria do Distrito Federal (IPS-DF) resultou na fuga de 132 internos em uma única semana. O fato ocorreu após a detecção de um homem que, supostamente, teria entrado no local disfarçado de paciente e causado pânico entre os moradores do serviço. A direção do instituto informou que investiga as circunstâncias do caso, mas confirmou falhas em protocolos de segurança.
Segundo registros oficiais, o homem foi identificado por funcionários após apresentar comportamento agressivo. Ele teria se aproximado de uma enfermeira antes de ser contido. A ação gerou confusão entre os internos, que, em um momento de vulnerabilidade, decidiram abandonar as dependências do serviço. “A maioria dos pacientes não estava em condições de compreender a gravidade do episódio, o que intensificou o medo”, afirmou uma fonte da instituição, que pediu anonimato.
O IPS-DF, responsável pelo atendimento a cerca de 600 pessoas, informa que 132 dos 284 internos em sua ala psiquiátrica deixaram o local entre os dias 15 e 17 de maio. Dentre os que se ausentaram, 43 foram encontrados em abrigos da rede pública, 25 em instituições de acolhimento e 64 permanecem desaparecidos. “Não há como prever o impacto psicológico desse evento em quem vive sob cuidados especializados”, destacou o coordenador do serviço, Dr. Carlos Ferreira.
A crise ocorre em um momento de ampliação da demanda por vagas psiquiátricas no DF, onde 35% dos pacientes em atendimento têm histórico de crises agudas. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que já iniciou ações de reforço na segurança das unidades, incluindo a instalação de portões biométricos e a contratação de novos vigilantes. “Garantir o bem-estar dos internos é prioridade”, destacou o secretário, Wagner Pinto.
Profissionais da área questionam, no entanto, se a saída de pacientes em massa pode agravar problemas crônicos. “A interrupção brusca do tratamento pode levar a piora do quadro clínico, especialmente em casos de esquizofrenia ou transtorno bipolar”, alertou a psiquiatra Dra. Maria Helena, especialista em políticas públicas de saúde mental.
O caso levanta debates sobre o modelo de funcionamento das unidades psiquiátricas no Brasil. Atualmente, o país tem 139 hospitais especializados, com estrutura variável entre os estados. No DF, o IPS-DF é o único serviço público com ala de longa estada, abrigando pacientes que não possuem familiares ou condições para cuidar de si. “A fuga em massa expõe as limitações de um sistema que não consegue oferecer alternativas de reabilitação em ambientes seguros”, analisa o pesquisador João Ribeiro, da Universidade de Brasília (UnB).
A Secretaria de Saúde informou que está elaborando um plano emergencial para localizar os desaparecidos e reavaliar os protocolos de atendimento. Enquanto isso, a comunidade médica monitora de perto os impactos do episódio no setor. “Esperamos que esse desdobramento sirva como um alerta para a necessidade de investimentos em psiquiatria pública”, conclui Dra. Maria Helena.
Os familiares dos internos que desapareceram podem se informar pelo telefone 3223-4567, da Coordenação de Acolhimento do DF.
— *Este conteúdo foi elaborado com base em informações disponíveis no sistema público de saúde do DF e em declarações oficiais da Secretaria de Saúde. A veracidade dos dados aqui apresentados é responsabilidade exclusiva das fontes citadas.*



