
No interior de Minas Gerais, um projeto inédito está em andamento para mapear e catalogar o patrimônio religioso do estado. A iniciativa, intitulada “Minas da Fé”, busca identificar, preservar e proteger os bens culturais associados às comunidades religiosas, incluindo igrejas, templos, artefatos litúrgicos e documentos históricos. O governador do estado, Romeu Zema, anunciou a ação durante evento no Palácio da Liberdade, destacando a importância de salvaguardar a identidade cultural mineira.
A operação, coordenada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), envolverá equipes técnicas, especialistas em arqueologia e colaboradores das próprias comunidades religiosas. O objetivo é criar um banco de dados detalhado com informações sobre a localização, estado de conservação e valor histórico de cada bem inventariado. Segundo o diretor do IEPHA-MG, Carlos Alberto Ferreira, a iniciativa busca “preencher lacunas na documentação do patrimônio religioso e assegurar que esses bens sejam protegidos contra degradação ou desaparecimento”.
O projeto abrangerá todas as 853 cidades mineiras, com foco especial em regiões com alto valor histórico, como o Caminho Real da Mantiqueira e o circuito das Minas Sete. Equipes visitarão templos católicos, candomblés, templos evangélicos e outras comunidades religiosas para registrar seus acervos. A metodologia inclui fotografias aéreas, registros em 3D de estruturas arquitetônicas e entrevistas com líderes religiosos para compreender o significado simbólico de cada local.
Um dos desafios apontados pelos organizadores é a falta de registros atualizados sobre o patrimônio religioso, especialmente em pequenas comunidades. Em muitos casos, artefatos estão armazenados em condições precárias ou não possuem documentação legal de proteção. Para resolver isso, o governo planeja firmar parcerias com ONGs de preservação cultural e instituições acadêmicas. A ação também inclui capacitação de voluntários locais para que possam atuar como agentes de conservação.
De acordo com o secretário de Cultura de Minas Gerais, Marcus Vinícius Mendes, a iniciativa vai além da preservação física. “Esse patrimônio carrega a memória de gerações e reflete a diversidade religiosa do nosso povo. É uma forma de reconhecer a contribuição das diferentes tradições para a construção da identidade mineira”, afirmou em coletiva de imprensa. A previsão é que o inventário seja concluído em 18 meses, com resultados divulgados em 2025.
O projeto já gerou reações positivas em setores da sociedade. O padre Paulo César, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Minas, elogiou a iniciativa: “Reconhecemos a importância de preservar o legado religioso como parte da história do país. Essa ação fortalece a cooperação entre Estado e comunidades para a proteção do patrimônio comum”.
Com orçamento inicial de R$ 12 milhões, o “Minas da Fé” conta com recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A expectativa é que, ao final da campanha, sejam registrados mais de 5 mil bens culturais, incluindo 2 mil igrejas coloniais, 800 esculturas religiosas e 400 documentos históricos. O governo também planeja utilizar os dados para atrair turismo cultural e promover políticas públicas de conservação.



