POLÍTICA

Durante a alta temporada de eventos populares como a Copa América e as celebrações do São João, uma significativa parcela dos deputados federais brasileiros está registrando ausência prolongada da Câmara dos Deputados. Dados da assiduidade parlamentar divulgados no início desta semana revelam que mais de 30% dos parlamentares não compareceram às sessões entre os dias 15 e 18 de junho.

Essa movimentação coincide com a programação de jogos da Copa América, que envolvem seleções brasileiras, e as tradicionais festividades juninas no Nordeste, especialmente em Pernambuco e Ceará. Deputados da base aliada e da oposição confirmaram à imprensa que combinaram agenda política com folgas pessoais, aproveitando a época de eventos públicos para retornar a seus estados.

Segundo o chefe de gabinete da Câmara, deputado federal Raul Jungmann (PSB-PE), o período de ausência “é parte da rotina parlamentar, permitindo aos representantes atenderem diretamente às demandas de seus eleitores nos municípios”. Jungmann destacou que protocolos de segurança e gestão remota garantem a continuidade dos trabalhos legislativos, mesmo com a redução da presença física na Casa.

Críticos, porém, questionam a ausência durante um momento crucial para a agenda nacional. A bancada do Cidadania, por exemplo, divulgou nota afirmando que “a folga coletiva não deve comprometer a tramitação de projetos essenciais, especialmente os relacionados à reforma tributária”. O líder da oposição, deputado Luís Eduardo Bartolomeu (MDB-SE), cobrou transparência sobre as justificativas formais para as licenças.

Os deputados que embarcaram para suas cidades natais usaram redes sociais para divulgar sua presença em eventos locais. Na noite de quinta-feira, o deputado federal Ronaldo Fonseca (PL-RJ) publicou vídeo em seu perfil oficial participando de festa junina em Pernambuco, enquanto o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), promoveu live ao vivo sobre políticas públicas durante o intervalo.

Apesar das críticas, a prática não é nova. Estudo da Fundação Getúlio Vargas, lançado em 2025, revelou que 42% dos deputados ausentaram-se da Câmara durante o período de Carnaval, com justificativas semelhantes. O documento também apontou que 65% dos parlamentares mantêm gabinetes regionais atuando paralelamente às atividades em Brasília.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que a ausência temporária dos deputados “não compromete o funcionamento do Poder Legislativo, que conta com estruturas técnicas e parlamentares substitutos para garantir a continuidade dos trabalhos”. Ele reiterou que a agenda da Casa inclui sessões remotas e reuniões com equipe reduzida durante os períodos de alta mobilidade dos parlamentares.

Com a retomada das sessões presenciais na próxima semana, o foco do Congresso voltará às propostas tramitadas, incluindo o projeto de lei de incentivo ao turismo cultural e a revisão do orçamento da União para 2025. Os deputados que retornam das folgas terão que apresentar relatórios sobre as atividades desenvolvidas durante a ausência, conforme determina a Resolução 51/2022 da Câmara.

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