
Após uma série de terremotos que atingiram regiões do sudoeste da Venezuela no final de dezembro de 2024, cenas de desolação e esforços coletivos de sobrevivência se tornaram comuns. Com estruturas destruídas e comunicações precárias, milhares de venezuelanos passaram a buscar familiares desaparecidos por conta própria, em um contexto de limitações de recursos governamentais e ajuda internacional.
Os sismos, cujo epicentro foi registrado perto da fronteira com a Colômbia, tiveram magnitudes entre 6,2 e 5,8 na escala Richter. Autoridades locais confirmaram ao menos 12 mortes e mais de 200 feridos, além de danos significativos a moradias e infraestrutura. Apesar dos esforços de organizações não governamentais, a resposta estatal foi criticada por sua lentidão.
Na cidade de Táchira, uma das mais afetadas, moradores utilizaram ferramentas improvisadas para remover escombros de edifícios desmoronados. “Não podemos esperar que o governo faça tudo. Meu irmão está lá dentro; tenho que tentar”, afirmou María Fernández, que passou 12 horas removendo pedras em uma escola colapsada. Casos semelhantes se multiplicaram em comunidades carentes, onde as equipes de resgate são escassas.
Segundo dados do Instituto Sismológico da Venezuela, o país vive um aumento de atividade sísmica desde 2022, atribuída ao desgaste de falhas geológicas. Apesar disso, especialistas destacam que a falta de planejamento urbano e o uso de materiais frágeis em construções amplificaram os impactos. “Muitos prédios não resistiram aos tremores porque foram erguidos sem normas técnicas”, explicou o geólogo Juan Molina.
Enquanto equipes de resgate internacional começam a chegar, a comunidade local continua a liderar os esforços. Grupos voluntários distribuem água, alimentos e kits de primeiros socorros, enquanto redes sociais são utilizadas para compartilhar informações sobre sobreviventes. O governo declarou um estado de exceção, mas críticos apontam que a ajuda prometida ainda não chegou à maioria das áreas atingidas.
A crise humanitária se agravou com a paralisação de hospitais em cidades afetadas. Organizações como o Crescente Vermelho Venezuelano atuam em regime de sobrevivência, mas enfrentam dificuldades para atender a demanda. “Cada minuto importa”, diz o coordenador da ONG, Luis Arismendi. “Muitos não têm acesso a atendimento médico básico após os tremores.”
Apesar das adversidades, a resiliência da população se destaca. Centenas de venezuelanos, incluindo crianças, colaboram em equipes para limpar ruas e estabilizar estruturas. “Estamos acostumados a viver em circunstâncias difíceis, mas isso é diferente”, observou o comerciante Raúl Márquez, que perdeu parte de seu estoque. “O que nos une agora é a esperança de encontrar alguém vivo.”
O Ministério da Defesa informou que está mobilizando equipes de engenharia para estabilizar prédios em risco de colapso. No entanto, a comunidade internacional pressiona pela ampliação da ajuda. Países como Colômbia e Peru já ofertaram suporte logístico, enquanto a ONU alerta para a necessidade de aumentar os recursos destinados à reconstrução.
Enquanto os venezuelanos enfrentam esta nova realidade, a busca por familiares continua. Cada esforço individual, embora frágil, reflete a determinação de uma população que, mesmo diante da adversidade, não abandona seus entes queridos.



