
O Banco Central do Brasil (BC) anunciou, na quarta-feira (10), a prorrogação do contrato de colaboração técnica com a B3 (antiga BMFBOVESPA) por mais cinco anos, até 2028. O valor total do acordo, que não inclui despesas operacionais, foi fixado em R$ 77,5 milhões. A parceria visa intensificar a troca de informações técnicas e a integração de sistemas entre as duas instituições, visando a modernização do sistema financeiro nacional.
O anúncio foi feito após análise da necessidade de aprimorar a infraestrutura do mercado de capitais, especialmente em relação ao pagamento de dividendos e ações. A B3, maior infraestrutura financeira e de mercadorias da América Latina, afirmou que o contrato permitirá a implementação de tecnologias mais eficientes e a ampliação da transparência das operações do setor.
De acordo com o Banco Central, a renovação do acordo atende à meta de alinhar os padrões brasileiros às melhores práticas internacionais de governança financeira. A cooperação inclui projetos como a digitalização de processos de liquidação e o fortalecimento da segurança cibernética em sistemas críticos de mercado. “Essa parceria é essencial para a sustentabilidade e a confiabilidade do sistema financeiro brasileiro”, destacou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em comunicado oficial.
Representantes da B3 enfatizaram que o aumento do valor do contrato, em comparação com a vigência anterior, reflete a ampliação do escopo das atividades. Entre as novas iniciativas está a criação de um centro de inovação para testar soluções baseadas em blockchain e inteligência artificial. A empresa também se comprometeu a investir em treinamentos para profissionais de ambas as instituições.
Critics da decisão, como parlamentares da oposição, questionaram o custo do acordo, argumentando que o valor poderia ser direcionado a programas sociais. “A prioridade do governo deve ser o desenvolvimento humano e a redução das desigualdades, não apenas beneficiar grandes corporações”, afirmou o deputado federal Pedro Almeida (PSOL) em nota. No entanto, o BC reiterou que o investimento é estratégico para a estabilidade econômica.
A B3, por sua vez, destacou que a renovação do contrato fortalece sua posição como parceira estratégica do Estado. “A colaboração com o Banco Central é fundamental para a governança do sistema financeiro e a confiança dos investidores”, disse o diretor executivo da B3, José Francisco de Souza. A assinatura do novo acordo ocorrerá oficialmente em 15 de junho, com transmissão ao vivo para o público.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e está sujeita a revisão por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU). A prorrogação do contrato é vista como um sinal de continuidade na política de modernização do setor financeiro, iniciada nos anos 2000.

