ECONOMIA

Rodoviários do Rio Entram em Greve por Tempo Indeterminado

Profissionais do setor de transporte rodoviário do Rio de Janeiro iniciaram uma greve por tempo indeterminado na manhã desta terça-feira (15/10), após falhar a negociação entre sindicatos e empresas de ônibus. A paralisação afeta a movimentação de cerca de 1,3 milhão de passageiros diários, segundo dados da Secretaria Municipal de Transportes.

O principal motivo da greve é a reivindicação de reajuste salarial, que os motoristas alegam ser insuficiente para acompanhar a inflação acumulada no ano. Os trabalhadores também solicitam melhorias nas condições de trabalho, incluindo menor intervalo entre viagens e equipamentos de segurança atualizados.

Segundo o Sindicato dos Rodoviários do Rio (Sindirodo), cerca de 90% dos ônibus municipais permanecem parados. “O governo estadual e as empresas precisam reconhecer a dignidade dos trabalhadores e negociar condições que garantam a segurança dos passageiros e a sustentabilidade do setor”, afirmou o presidente do sindicato, João Ferreira.

A paralisação ocorre em um momento de crise no transporte público da cidade, que enfrenta déficits operacionais e descontentamento crescente da população. A prefeitura do Rio informou que está em contato com as partes envolvidas para buscar uma solução que minimize os impactos ao cidadão.

De acordo com a empresa Rio Ônibus, responsável por uma das maiores operações na região, “os custos com combustível e manutenção tiveram aumento significativo, o que compromete a viabilidade das linhas”. A empresa afirma que está analisando propostas de reajuste que sejam equilibradas entre os interesses dos trabalhadores e a sustentabilidade da operação.

A greve já gerou filas em estações de metrô e terminais de ônibus, com relatos de atrasos de até duas horas na chegada a locais de trabalho e escolas. Passageiros como Maria Oliveira, moradora do bairro de Botafogo, afirmam que a situação está “imprevisível”. “Precisamos de alternativas viáveis, como o fortalecimento do transporte coletivo”, destacou.

Entidades de defesa do consumidor alertam para os riscos de uma greve prolongada. “A interrupção do serviço afeta diretamente a economia local e a qualidade de vida da população”, disse o presidente da Associação dos Consumidores do Rio (ACON), Eduardo Moreira.

Enquanto a paralisação se mantém sem previsão de término, a prefeitura orienta os cidadãos a planejarem trajetos com antecedência e utilizar alternativas como aplicativos de mobilidade e bicicletas compartilhadas. A Secretaria de Transportes também anunciou a ampliação da frota de vans para atender linhas críticas.

O sindicato dos rodoviários afirma que retomará as negociações caso as empresas e o governo apresentem contrapropostas. “Queremos um diálogo produtivo, não um conflito que prejudique a todos”, destacou Ferreira.

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