
Um laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) divulgado nesta semana pode intensificar a acusação de agressão física contra a filha do ex-deputado estadual Eustáquio Ferreira, que atualmente responde a um inquérito por suspeita de violência doméstica. O documento, obtido exclusivamente pelo jornalismo, aponta marcas compatíveis com agressões físicas no corpo da vítima, reforçando a versão apresentada pela vítima em depoimento prestado à polícia.
O caso ganhou relevância no cenário político local após a filha de Eustáquio, identificada como Maria Ferreira, ter registrado uma queixa formal em setembro de 2023, alegando ter sofrido atos de violência física e psicológica por parte do ex-parlamentar. As acusações ocorrem em um contexto de crescente polarização na região, já que Eustáquio foi líder de sua base legislativa durante mandatos anteriores.
Segundo o laudo do IML, foram identificadas lesões compatíveis com lesões causadas por golpes de natureza contundente, com marcas em diferentes estágios de cicatrização. O documento não aponta exclusivamente a autoria das agressões, mas reforça a necessidade de investigações complementares, que incluirão análise de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. A defesa de Eustáquio, por meio de sua advogada, apresentou uma nota afirmando que as “lesões podem ter ocorrido durante incidentes fortuitos e que a investigação deve considerar a complexa relação filial entre os envolvidos”.
O Ministério Público estadual informou, em comunicado oficial, que a nova evidência técnica pode influenciar a decisão sobre a formalização de um auto de prisão em flagrante contra o acusado. A promotoria destacou a “necessidade de preservar a integridade da vítima e garantir o devido processo legal”, conforme determina a Lei Maria da Penha. O caso segue tramitando na 7ª Vara Criminal da cidade, sob a presidência do juiz Antônio Carlos Lima, que já determinou a manutenção de medidas protetivas para a vítima.
Enquanto isso, a família de Eustáquio nega veementemente as acusações, afirmando que as lesões mencionadas no laudo teriam causas naturais, como quedas domésticas. Em entrevista coletiva realizada na última quinta-feira, o irmão de Maria, João Ferreira, afirmou que “a família rechaça veementemente as acusações e confia no sistema judicial para esclarecer a verdade”.
A polícia já está em contato com três testemunhas que poderiam corroborar a versão da vítima. Entre elas, uma vizinha que teria ouvido gritos durante a noite do incidente relatado. Apesar da gravidade das acusações, nenhum mandado de prisão foi expedido até o momento.
Esse caso reacende debates sobre a aplicação da Lei Maria da Penha em situações envolvendo figuras públicas e a dificuldade de apurar casos de violência doméstica em contextos de intimidade familiar. Organizações de defesa dos direitos da mulher reforçam a importância de manter a investigação imparcial, independentemente da notoriedade dos envolvidos.
O jornalismo permanece acompanhando o caso com exclusividade. Novas atualizações serão veiculadas assim que novas informações forem oficializadas pelas autoridades competentes.
