
Brasília, 15 de outubro de 2023 – O mercado financeiro brasileiro está ampliando sua participação em projetos que promovem a conservação da biodiversidade e o combate ao desmatamento. Especialistas apontam um aumento de 45% no volume de investimentos em fundos vinculados a iniciativas de preservação florestal nos últimos dois anos, segundo dados do Instituto de Estudos de Mercado (IEM). A tendência reflete uma demanda crescente por ativos sustentáveis e a pressão internacional por práticas corporativas alinhadas às metas da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD).
Empresas de capital aberto têm integrado critérios ambientais em suas estratégias. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou uma parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) para financiar projetos de recuperação de áreas impactadas, com recursos de até R$ 500 milhões. “A sustentabilidade é um fator crítico para a gestão de riscos e a geração de valor a longo prazo”, afirmou o diretor de Sustentabilidade da instituição, Carlos Mendes.
O governo federal também tem incentivado a inovação financeira verde. Em agosto, o Ministério da Economia lançou a “Linha Verde”, um programa que oferece taxas de juros reduzidas para empreendimentos com certificação de impacto positivo na conservação da floresta. A iniciativa já contemplou 120 pequenas e médias empresas, incluindo fazendas que adotam técnicas agroflorestais.
Investidores estrangeiros estão cada vez mais atentos ao Brasil como destino de capital verde. O fundo sueco Green Capital, especializado em projetos de preservação, aportou US$ 150 milhões em julho em uma joint venture com a empresa brasileira Floresta Viva, que desenvolve tecnologia para monitoramento de desmatamento em tempo real. “O Brasil representa 30% da biodiversidade global, o que o torna um ativo estratégico para o mercado de investimentos ambientais”, destacou o CEO do Green Capital, Jonas Bergman.
A crescente aliança entre economia e conservação não é isenta de desafios. Críticos destacam a necessidade de transparência em relatórios sobre impactos reais dos projetos financiados. “É essencial evitar o greenwashing e garantir que os recursos realmente cheguem às comunidades e áreas críticas”, alerta a pesquisadora da Universidade de São Paulo, Ana Lúcia Ferreira. A demanda por certificações internacionais, como a do Fórum de Investimento Sustentável e Financeiro (SFI), tem se intensificado para assegurar a credibilidade das iniciativas.
Com a COP29临近 (Cúpula das Nações Unidas sobre o Clima) marcada para 2024, especialistas prevêem um aumento na captação de recursos para a preservação florestal, impulsionado por metas globais de redução de emissões. O mercado financeiro brasileiro, ao se posicionar como agente de transformação, reforça o papel da economia verde como pilar do desenvolvimento sustentável no país.
