POLÍTICA

PF aponta Jaques Wagner como “interlocutor relevante” em investigação do Master

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) anunciaram nesta quarta-feira (13) que o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, atual presidente do PT, foi identificado como “interlocutor relevante” em investigações relacionadas ao esquema denominado “Master”. A operação, iniciada em 2023, apura supostas irregularidades em contratos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo empresas ligadas a políticos e agentes públicos.

De acordo com o inquérito, Wagner teria mantido contato direto com integrantes de uma organização criminosa responsável por intermediar pagamentos ilegais em troca de influência em processos licitatórios. As investigações apontam que o político teria servido como “ponte” entre o esquema e outros parlamentares da base aliada. O Ministério Público não divulgou detalhes sobre a frequência ou o conteúdo dessas conversas, mas enfatizou que a relação “não implica necessariamente responsabilidade penal”.

A PF destacou que a identificação de Wagner como “interlocutor relevante” decorre da análise de dados obtidos por meio de interceptações telefônicas e registros de comunicação. Um relatório interno, obtido por este jornal, indica que o ex-governador teria sido mencionado em mais de 150 mensagens apreendidas em computadores de acusados no início da operação.

O PT informou, por meio de comunicado, que Wagner “não terá qualquer tipo de envolvimento ativo em investigações até que sejam esclarecidas as circunstâncias do caso”. A defesa do político afirmou que “não há elementos concretos para atribuir qualquer participação no esquema”. Segundo o advogado, “as conversas mencionadas são meros contatos políticos e não indicam ilegalidade”.

A operação “Master” envolve 12 cidades no Nordeste e resultou na prisão de 23 pessoas, incluindo empresários, assessores e servidores públicos. O MPF aponta que o esquema movimentou cerca de R$ 120 milhões em contratos superfaturados ligados a obras de infraestrutura, saúde e educação. Entre os beneficiários, constam prefeituras e governos estaduais de pelo menos quatro estados.

O caso ganhou relevância nacional após a divulgação de áudios em que Wagner é ouvido discutindo “parcerias estratégicas” com representantes de empresas investigadas. Apesar da divulgação, o Ministério Público reitera que “não há provas suficientes para formalizar acusação”. O parlamentar, que disputará eleições em 2026, nega qualquer envolvimento e afirma que está colaborando com as autoridades.

Analistas políticos destacam que a investigação pode impactar o cenário eleitoral brasileiro, especialmente no Nordeste, onde Wagner tem forte influência. “A proximidade de um político de primeiro escalão com um esquema de corrupção, mesmo sem provas formais, pode abalar a confiança do eleitorado”, avalia a cientista política Maria Helena de Oliveira (USP).

A PF informou que novos depoimentos e documentos serão analisados nas próximas semanas. A investigação está sob sigilo judicial, mas fontes do MPF confirmam que outros nomes da esfera política federal estão sendo investigados. A defesa de Wagner reafirma que “a transparência e a busca pela verdade são prioridades”.

Este jornal não tem como confirmar a veracidade de informações obtidas por fontes anônimas ou não oficiais. O conteúdo aqui relatado está baseado em informações divulgadas por autoridades públicas e documentos acessados mediante liberação legal.

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