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Feminicídios crescem em MG e 2026 pode bater recorde

Os dados do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam um aumento alarmante no número de feminicídios no estado de Minas Gerais. Em 2023, foram registrados 327 casos confirmados, representando um aumento de 18% em comparação ao ano anterior. Projeções preliminares indicam que, caso a tendência atual se mantenha, 2026 pode ultrapassar a marca registrada em 2019, quando o estado bateu o recorde com 364 feminicídios.

De acordo com o Departamento de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) do Ministério Público, 78% dos casos ocorrem em contextos de relacionamento íntimo, muitas vezes ligados a situações de violência doméstica. O dado reflete uma realidade nacional, já que o Brasil é o sexto país com maior taxa de assassinatos de mulheres no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

A coordenadora do DHPM, Ana Paula Ferreira, destaca que a falta de acesso a medidas protetivas e a subnotificação de casos são fatores que agravam o problema. “Muitas mulheres não denunciam por medo de retaliação ou descrença no sistema”, afirma em entrevista à imprensa. A instituição aponta que apenas 43% das vítimas que solicitam medidas de proteção no estado conseguem tê-las cumpridas.

O governo estadual anunciou recentemente uma ampliação do projeto “Mulher Segura”, que prevê a implantação de 50 novas unidades de atendimento especializado em 2024. A iniciativa inclui a contratação de 200 novos servidores e a capacitação de profissionais da segurança pública. No entanto, críticas da sociedade civil apontam que os recursos não são suficientes para atender a demanda crescente.

O deputado federal Pedro Henrique (PT), relator da Frente Parlamentar de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, destaca que o tema exige uma abordagem multidisciplinar: “É necessário combater a desigualdade estrutural, promover educação em gênero e garantir acesso à justiça para que haja uma redução efetiva dos índices”, destacou durante audiência pública no Congresso Nacional.

Enquanto isso, ONGs e movimentos feministas intensificam campanhas de conscientização. Em Belo Horizonte, grupos promovem passeatas semanais sob o lema “Minha Vida Vale”, exigindo mudanças nas políticas públicas. A advogada especialista em direitos da mulher, Camila Oliveira, ressalta que a eficácia das ações depende da articulação entre Estado, sociedadecivil e poderes judiciário e legislativo.

O aumento dos feminicídios em Minas Gerais reflete um desafio complexo que envolve fatores sociais, econômicos e culturais. Para especialistas, a solução exige não apenas reforço na segurança pública, mas também transformações estruturais na sociedade para desconstruir as desigualdades de gênero.

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