
No domingo (15), os rodoviários da cidade de Marechal anunciam oficialmente o fim da greve que paralisou o transporte coletivo por 12 dias, impactando mais de 50 mil passageiros diariamente. A decisão foi comunicada após uma reunião entre os sindicatos dos trabalhadores e representantes do governo municipal, que chegaram a um acordo sobre reivindicações salariais e condições de trabalho.
A paralisação começou no dia 3 de outubro, desencadeada pela frustrção dos motoristas com o atraso no pagamento da licença-maternidade e a falta de melhorias nas rotinas de trabalho. Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, João Ferreira, os trabalhadores exigiam reajuste salarial de 8% e a implementação de horários mais seguros para reduzir o tempo de jornada. “Chegamos a um consenso: 6% de reajuste e uma nova política de distribuição de viagens”, afirmou Ferreira em coletiva no final do dia.
O prefeito de Marechal, Luís Gomes, destacou em nota a importância de garantir serviços essenciais à população. “O diálogo foi fundamental para resolver o impasse. Agora, trabalharemos para assegurar que as medidas acordadas sejam plenamente cumpridas”, escreveu. A retomada das atividades ocorre em duas fases: 70% da frota opera normalmente na segunda-feira (16), com a completa normalização prevista para o dia 19.
Os usuários do transporte público manifestaram alívio com o anúncio. A comerciante Maria Clara, que depende do ônibus para se locomover, observou que os atrasos durante a greve afetaram seu trabalho em uma loja no centro da cidade. “É uma vitória para todos. A gente só queria que o serviço voltasse, e agora está acontecendo”, disse. Já o estudante Pedro Henrique, que usava o transporte para ir à escola, destacou a preocupação com a segurança durante os dias de paralisação. “Muitos alunos tiveram que caminhar longas distâncias”, recordou.
Apesar do acordo, críticos destacam que as demandas dos rodoviários refletem desafios estruturais do setor de transporte no país. Segundo o Instituto de Pesquisa e Análise Social (IPAS), 64% dos motoristas de ônibus em cidades brasileiras relatam sobrecarga de trabalho em pesquisas recentes. O sindicato já adiantou que manterá reuniões periódicas para monitorar o cumprimento das promessas feitas.
O retorno das linhas ocorre em um momento delicado para Marechal, que sofre com investimentos recorrentes em infraestrutura urbana. Autoridades locais afirmam que priorizarão a manutenção da malha viária e a ampliação de alternativas de mobilidade nos próximos meses. Enquanto isso, os rodoviários retomam suas atividades com a expectativa de que este episódio sirva como base para acordos mais estáveis no futuro.
Para a população, o fim da greve traz um alívio imediato, mas também serve como lembrete da fragilidade dos serviços públicos em períodos de crise. O caso da Marechal reforça a necessidade de políticas públicas que garantam diálogo constante entre governos e trabalhadores, evitando paralisações que afetam a vida de milhares de pessoas.



