POLÍTICA

Confira como foi a terça-feira (1º) dos candidatos a presidente

A terça-feira (1º) foi marcada pelos primeiros movimentos políticos após o segundo turno da eleição presidencial de 2022, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (30). Jair Bolsonaro (PL), que buscava a reeleição, ainda não havia reconhecido publicamente a derrota até o início da tarde. Paralelamente, manifestações de apoiadores do presidente bloquearam rodovias em diferentes regiões do país.

Bolsonaro passou parte do dia no Palácio da Alvorada, em Brasília, onde recebeu aliados e ministros. A agenda presidencial não foi divulgada oficialmente em detalhes, mas integrantes do governo participaram das discussões sobre a situação das estradas e sobre os procedimentos para a transição administrativa.

Os bloqueios começaram na noite de domingo, após a divulgação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e se intensificaram na segunda-feira. Os manifestantes contestavam a vitória de Lula e pediam, em alguns casos, intervenção militar. A Polícia Rodoviária Federal informou que atuava para liberar as vias, enquanto decisões judiciais determinaram a retirada dos obstáculos.

Na segunda-feira à noite, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, determinou que as forças de segurança adotassem medidas para garantir o trânsito. Na terça, o Supremo Tribunal Federal formou maioria para confirmar a decisão. Governadores e órgãos estaduais também anunciaram operações para desmobilizar os bloqueios.

O principal pronunciamento de Bolsonaro ocorreu no fim da tarde. Em uma fala de aproximadamente dois minutos, no Palácio da Alvorada, ele não citou diretamente o resultado da eleição nem mencionou o nome de Lula. O presidente afirmou que continuaria respeitando a Constituição e condenou atos de violência e depredação, mas disse que manifestações pacíficas faziam parte do jogo democrático.

Logo depois do discurso, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, declarou que Bolsonaro havia autorizado o início do processo de transição de governo. Segundo o ministro, a equipe seria formada com base na legislação e deveria começar os trabalhos nos dias seguintes. A transição é coordenada pelo governo eleito e depende da interlocução com a administração que deixará o poder.

Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, permaneceu em São Paulo e não realizou agenda pública de campanha, já que o processo eleitoral havia sido encerrado. O presidente eleito começou a receber aliados e a organizar as primeiras conversas sobre a composição do futuro governo. A prioridade, naquele momento, era definir a equipe responsável pela transição e estabelecer contatos com o Congresso Nacional, governadores e representantes de diferentes setores.

O resultado oficial divulgado pelo TSE apontou a vitória de Lula com 60.345.825 votos, o equivalente a 50,90% dos votos válidos. Bolsonaro obteve 58.206.322 votos, ou 49,10%. Foi a disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização do Brasil.

A terça-feira também foi marcada por manifestações políticas em frente a quartéis e por interrupções no transporte de cargas. Autoridades reforçaram que o direito de manifestação é garantido, mas destacaram que o bloqueio de rodovias e a ameaça à circulação de pessoas e serviços poderiam resultar em responsabilização judicial.

Com a autorização para o início da transição, o cenário político passou a se concentrar na formação do novo governo e na normalização das estradas. Lula deveria tomar posse em 1º de janeiro de 2023, enquanto Bolsonaro permaneceria no cargo até o fim do mandato.

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