
Após a trágica morte de um jovem de 17 anos durante uma prática de “rope jump” em São Paulo, o governo do Estado iniciou uma campanha de vistorias em locais comuns de realização da atividade. A ação, anunciada na quinta-feira (15), envolve fiscalizações em áreas públicas e privadas com o objetivo de identificar pontos de risco e divulgar campanhas de conscientização sobre os perigos do esporte.
A prática de “rope jump”, em que um participante se joga de uma altura amarrado por cordas com outros participantes, tem se espalhado entre jovens das redes sociais, mas é considerada extremamente perigosa pela comunidade médica. Segundo o Ministério da Saúde, em 2023 foram registrados 12 casos graves de lesões em todo o país, sendo três fatais.
Equipes do Departamento de Segurança Pública e do Instituto de Proteção ao Usuário de Serviços Públicos já inspecionaram 23 locais em zonas comerciais e parques da capital. “Estamos trabalhando em parceria com prefeituras e ONGs para identificar áreas de risco e aplicar multas em caso de descumprimento de normas de segurança”, afirmou o secretário estadual de Segurança, Leonardo Ferreira.
As vistorias incluem análise de terrenos inclinados, rampas de acesso a viadutos e áreas com estruturas metálicas expostas. Além disso, o governo lançará uma campanha com vídeos educativos nas redes sociais, destacando os riscos de fraturas, luxações e traumas cranianos associados à prática.
Organizações sociais reforçam a necessidade de ações preventivas. “O ‘rope jump’ não é um esporte regulado. Muitos jovens são induzidos a replicar ações vistas em vídeos sem compreender os riscos estruturais”, destaca a psicóloga Mariana Costa, especialista em comportamento juvenil. A instituição Juntos Pelo Futuro, que atua em prevenção a riscos adolescentes, oferece cursos gratuitos sobre segurança em atividades esportivas.
Apesar das medidas, especialistas alertam que a fiscalização sozinha não resolve o problema. “A educação em saúde e a regulamentação de espaços públicos são fundamentais para reduzir a incidência de acidentes”, opina o médico ortopedista Dr. Carlos Mendes, da Sociedade Paulista de Ortopedia.
O governo também anunciou a criação de um canal de denúncias anônimas (111-500) para informar locais com práticas de risco. A iniciativa entra em vigor a partir do dia 1º de julho, com metas de reduzir em 40% os casos de acidentes relacionados ao “rope jump” no biênio 2024-2025.



