
Caracas, Venezuela – O número de mortos em consequência de terremotos na Venezuela subiu para 2.645, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Geológico da Venezuela (INGEOMINAS). A atualização eleva o balanço para o segundo maior número de óbitos registrado em uma década no país, que enfrenta uma crise humanitária crescente.
Os tremores mais recentes, registrados entre janeiro e abril de 2024, ocorreram em zonas serranas e áreas costeiras do centro-norte do país. O epicentro do maior sismo, de magnitude 6,2 na escala Richter, foi localizado a 150 km da capital, Caracas, segundo a Agência dos Estados Unidos para Geociências (USGS). A onda de tremores, que incluiu mais de 120 abalos secundários, atingiu comunidades já fragilizadas por anos de instabilidade política e econômica.
Segundo o INGEOMINAS, a maioria das vítimas (68%) ocorreu em municípios como Mérida e Trujillo, onde edifícios de alvenaria e infraestrutura precária ampliaram os danos. O governo venezuelano declarou estado de exceção em 12 municípios afetados, autorizando a mobilização de recursos da Defesa Civil e organizações internacionais. A Cruz Vermelha estima que mais de 250 mil pessoas foram deslocadas.
O ministro das Relações Exteriores, Freddy Bernal, anunciou nesta semana uma reunião de emergência com representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) para solicitar assistência humanitária. “Estamos em negociação com parceiros internacionais para garantir abrigo, alimentos e atendimento médico às famílias afetadas”, afirmou em coletiva. A ONG Human Rights Watch alerta, porém, para a dificuldade de acesso a regiões remotas devido a bloqueios nas estradas e escassez de combustível.
Geólogos apontam que a Venezuela, localizada na borda norte da Placa Sul-Americana, enfrenta maior frequência de atividade sísmica desde 2020. “A combinação de fatores geológicos e a falta de planejamento urbano são responsáveis pela escalada de riscos”, explicou em entrevista à Rádio Nacional o sismólogo Rafael Ortega. A ONU já havia recomendado, em relatório de 2022, a revisão de códigos de construção em áreas de risco, mas a implementação dessas medidas ainda não ocorreu em escala nacional.
A crise humanitária agravou-se com a chegada do inverno, que traz fortes chuvas e ameaça deslizamentos em áreas destruídas. A ONG Save the Children informou que 120 mil crianças estão em risco de saúde devido à exposição prolongada a condições adversas. Apesar dos apelos, a resposta internacional tem sido limitada, com críticas à transparência governamental sobre o real alcance do desastre.
Enquanto o país busca recuperar-se, especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas de longo prazo para mitigar os efeitos de desastres naturais. “A Venezuela precisa investir em educação cívica sobre riscos sísmicos e em infraestrutura resiliente”, concluiu o professor da Universidade Central da Venezuela (UCV), Carlos Méndez, em análise publicada no jornal *El Universal*.
A próxima atualização do balanço de vítimas está prevista para o final do mês, após a conclusão das buscas em áreas afetadas. Organizações locais continuam a pedir acesso irrestrito às zonas destruídas para garantir a coleta de dados precisos.



